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Sumário

O que é TRRF?

TRRF

TRRF significa Tempo Requerido de Resistência ao Fogo.

É o tempo mínimo, expresso em minutos, durante o qual elementos estruturais e elementos de compartimentação devem manter desempenho adequado em situação de incêndio, conforme o enquadramento normativo da edificação.

No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 08/2025 – Segurança estrutural contra incêndio, que estabelece as condições a serem atendidas pelos elementos estruturais e de compartimentação quanto aos Tempos Requeridos de Resistência ao Fogo.

Em termos práticos, o TRRF responde à seguinte pergunta: por quanto tempo a estrutura, a parede, a laje, a viga, o pilar ou outro elemento relevante precisa resistir ao fogo para reduzir o risco de colapso e permitir a saída segura das pessoas e a atuação das equipes de emergência?

O TRRF não é um número decorativo no projeto. Ele influencia estrutura, materiais, proteção passiva, compartimentação, memoriais, laudos, execução da obra, manutenção e regularização junto ao Corpo de Bombeiros.

Para que serve o TRRF?

O TRRF serve para definir um desempenho mínimo de resistência ao fogo para elementos da edificação.

Entre suas funções principais estão:

  • reduzir o risco de colapso estrutural durante o incêndio;
  • preservar a estabilidade da edificação por tempo mínimo;
  • permitir abandono seguro dos ocupantes;
  • favorecer o acesso e a atuação do Corpo de Bombeiros;
  • manter a função de elementos de compartimentação;
  • limitar a propagação do incêndio entre ambientes, pavimentos ou setores;
  • orientar a escolha de materiais estruturais e de revestimento contra fogo;
  • definir necessidade de proteção passiva;
  • apoiar o memorial de segurança estrutural;
  • permitir análise e vistoria do processo de segurança contra incêndio.

O TRRF é uma das bases da proteção passiva contra incêndio. Ele não atua para apagar o fogo, mas para manter a edificação em condições de desempenho durante determinado período.

Qual norma trata do TRRF?

No Estado de São Paulo, a norma principal é a IT 08/2025 – Segurança estrutural contra incêndio.

A IT 08/2025 entrou em vigor em 20 de março de 2025, conforme a Portaria nº CCB-003/800/25, e substituiu a IT 08/2019.

A versão de 2025 está organizada em duas partes:

  • Parte 1 – Requisitos gerais;
  • Parte 2 – Sistemas construtivos em madeira.

A Parte 1 concentra o regime geral de TRRF, isenções, reduções, comprovação, dimensionamento e memorial. A Parte 2 trata de sistemas construtivos em madeira, como madeira massiva e wood frame, com critérios próprios.

Também podem ser relevantes, conforme o sistema construtivo:

  • ABNT NBR 14432 — Exigências de resistência ao fogo de elementos construtivos de edificações;
  • ABNT NBR 14323 — Projeto de estruturas de aço e estruturas mistas de aço e concreto em situação de incêndio;
  • ABNT NBR 15200 — Projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio;
  • ABNT NBR 5628 — Componentes construtivos estruturais — Determinação da resistência ao fogo;
  • normas de sistemas construtivos, ensaios, placas, revestimentos, proteção passiva e materiais específicos.

TRRF é a mesma coisa que segurança estrutural contra incêndio?

Não exatamente.

O TRRF é um requisito de tempo. A segurança estrutural contra incêndio é o conjunto mais amplo de critérios, medidas e comprovações para garantir que a estrutura e os elementos de compartimentação mantenham desempenho em incêndio.

Em outras palavras:

  • TRRF é o tempo requerido de resistência ao fogo;
  • segurança estrutural contra incêndio é a disciplina que verifica e garante esse desempenho.

A IT 08/2025 trata da segurança estrutural contra incêndio e utiliza o TRRF como parâmetro central.

TRRF é o mesmo que TRF?

Não.

O TRRF é o tempo requerido pela norma.

O TRF, ou tempo de resistência ao fogo, é o desempenho demonstrado pelo elemento ou sistema construtivo.

A relação correta é:

  • a norma exige um TRRF;
  • o elemento comprova um TRF;
  • o TRF deve ser igual ou superior ao TRRF exigido.

Exemplo conceitual: se a edificação exige TRRF de 90 minutos para determinado elemento, o sistema construtivo precisa comprovar resistência ao fogo igual ou superior a esse tempo, por ensaio, tabela, cálculo ou método aceito.

TRRF é o tempo que o incêndio vai durar?

Não.

TRRF não é previsão da duração real do incêndio.

Um incêndio real depende de carga de incêndio, ventilação, geometria, combustíveis, sistemas de proteção, atuação da brigada, resposta do Corpo de Bombeiros e vários outros fatores.

O TRRF é um requisito normativo. Ele estabelece um tempo mínimo de resistência ao fogo para determinados elementos, conforme cenários padronizados, métodos de ensaio, tabelas ou modelos aceitos.

Por isso, não se deve dizer que “a estrutura vai resistir exatamente 60 minutos em qualquer incêndio”. O correto é afirmar que ela deve atender ao tempo requerido de resistência ao fogo conforme a norma e o método de comprovação adotado.

Onde consultar a tabela de TRRF?

Na IT 08/2025, a tabela-base de TRRF está no Anexo B – Tempos Requeridos de Resistência ao Fogo (TRRF).

Esse anexo organiza os tempos por:

  • grupo de ocupação;
  • divisão da ocupação;
  • profundidade do subsolo;
  • altura da edificação;
  • classes S1, S2, P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7 e P8.

A tabela deve ser usada em conjunto com o Regulamento de Segurança Contra Incêndio do Estado de São Paulo, especialmente a classificação das edificações e áreas de risco quanto à ocupação.

Como ler a tabela de TRRF da IT 08/2025?

A leitura da tabela de TRRF exige quatro passos básicos:

  1. identificar o grupo e a divisão da ocupação;
  2. identificar se a análise envolve subsolo, sobressolo ou pavimentos acima do nível de descarga;
  3. determinar a altura da edificação conforme o Regulamento e a IT aplicável;
  4. cruzar a ocupação com a classe de altura ou profundidade para obter o TRRF em minutos.

O erro comum é olhar apenas a altura e ignorar a ocupação. A mesma altura pode gerar TRRF diferente conforme a ocupação e o risco.

Também é incorreto escolher o menor valor sem verificar isenções, reduções, restrições, ocupações mistas, subsolos, mezaninos e regras específicas.

Tabela-base de TRRF da IT 08/2025

A tabela abaixo é uma versão editorial baseada no Anexo B da IT 08/2025. Antes da publicação final, recomenda-se conferir cada valor diretamente na página da IT 08/2025 do Guia SEGCI e no texto oficial vigente.

Grupo Ocupação/Uso Divisão S2 hs > 10 m S1 hs ≤ 10 m P1 h ≤ 6 m P2 6 m < h ≤ 12 m P3 12 m < h ≤ 23 m P4 23 m < h ≤ 30 m P5 30 m < h ≤ 80 m P6 80 m < h ≤ 120 m P7 120 m < h ≤ 150 m P8 150 m < h ≤ 250 m
A Residencial A-1 a A-3 90 60 30 30 60 90 120 120 150 180
B Serviços de hospedagem B-1 e B-2 90 60 30 60 60 90 120 150 180 180
C Comercial varejista C-1 90 60 60 60 60 90 120 150 150 180
C Comercial varejista C-2 e C-3 90 60 60 60 60 90 120 150 150 180
D Serviços profissionais, pessoais e técnicos D-1 a D-4 90 60 30 60 60 90 120 120 150 180
E Educacional e cultura física E-1 a E-6 90 60 30 30 60 90 120 120 150 180
F Locais de reunião de público F-1, F-2, F-5, F-6, F-8, F-10 e F-11 90 60 60 60 60 90 120 150 180 —
F Locais de reunião de público F-3, F-4 e F-7 90 60 Ver item A.2.3.3 30 60 60 90 120 — —
F Locais de reunião de público F-9 90 60 30 60 60 90 120 — — —
G Serviços automotivos G-1 a G-5 120 90 30 60 60 90 120 120 150 180
H Serviços de saúde e institucionais H-1 e H-4 90 60 30 60 60 90 120 150 180 180
H Serviços de saúde e institucionais H-2, H-3, H-5 e H-6 90 60 30 60 60 90 120 150 180 180
I Industrial I-1 90 60 30 30 30 60 120 — — —
I Industrial I-2 120 90 30 30 60 90 120 — — —
I Industrial I-3 120 90 60 60 90 120 120 — — —
J Depósitos J-1 60 30 Ver item A.2.3.4 30 30 60 — — — —
J Depósitos J-2 90 60 60 60 60 60 60 — — —
J Depósitos J-3 90 60 60 60 60 120 120 — — —
J Depósitos J-4 120 90 60 60 90 120 120 — — —
L Explosivos L-1, L-2 e L-3 120 120 120 — — — — — — —
M Especial M-1 150 150 150 — — — — — — —
M Especial M-2 — 120 120 — — — — — — —
M Especial M-5 120 90 60 60 90 120 — — — —
M Especial M-3 120 90 90 90 120 120 120 150 — —
K Energia K-1 120 90 90 90 120 120 120 150 — —

Notas editoriais importantes:

  • casos não enquadrados devem ser definidos pelo Serviço de Segurança Contra Incêndio do CBPMESP;
  • o TRRF dos subsolos e sobressolos não pode ser inferior ao TRRF dos pavimentos situados acima do solo, conforme item 4.12 da IT 08;
  • para indústria ou depósito com inflamáveis, considerar I-3 e J-4, respectivamente;
  • traços ou campos com “—” devem ser conferidos no texto oficial e não devem ser preenchidos por analogia sem justificativa técnica.

O que significam as classes S1, S2, P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7 e P8?

Na tabela de TRRF da IT 08/2025, as classes organizam a edificação conforme profundidade do subsolo ou altura da edificação.

De forma simplificada:

Classe Critério
S2 profundidade do subsolo maior que 10 m
S1 profundidade do subsolo menor ou igual a 10 m
P1 altura até 6 m
P2 altura maior que 6 m e até 12 m
P3 altura maior que 12 m e até 23 m
P4 altura maior que 23 m e até 30 m
P5 altura maior que 30 m e até 80 m
P6 altura maior que 80 m e até 120 m
P7 altura maior que 120 m e até 150 m
P8 altura maior que 150 m e até 250 m

Essas classes não devem ser usadas isoladamente. Elas precisam ser cruzadas com a ocupação e divisão da edificação.

Como calcular o TRRF?

Na prática, há duas leituras possíveis para a expressão “calcular TRRF”.

A primeira é a leitura mais comum em projeto: consultar a tabela do Anexo B da IT 08/2025, com base na ocupação e altura, para identificar o tempo requerido em minutos.

A segunda é o procedimento de redução por tempo equivalente, previsto no Anexo E da IT 08/2025, quando admitido pela norma.

Um roteiro geral seria:

  1. classificar a ocupação da edificação;
  2. identificar grupo e divisão;
  3. determinar altura ou profundidade aplicável;
  4. consultar o Anexo B da IT 08/2025;
  5. identificar o TRRF exigido;
  6. verificar se há isenção aplicável no Anexo A;
  7. verificar se há possibilidade de redução pelo procedimento do Anexo E;
  8. comprovar o desempenho do elemento por ensaio, tabela ou cálculo;
  9. registrar a solução no memorial;
  10. apresentar responsabilidade técnica e documentos comprobatórios, quando exigidos.

O ponto essencial é que o TRRF não deve ser definido por intuição. Ele deve ser determinado pela norma e comprovado por metodologia aceita.

O que é o procedimento de redução de TRRF?

A IT 08/2025 admite procedimento para redução do TRRF conforme o Anexo E, mas com restrições.

A redução é limitada a 30 minutos dos valores constantes no Anexo B.

A própria norma exclui determinadas ocupações e divisões desse procedimento, como Grupo L, M-1, M-2, M-3 e K-1.

O procedimento envolve cálculo de tempo equivalente, considerando carga de incêndio específica, medidas de proteção, risco de ativação, características da edificação e ventilação.

A redução não é automática. Ela precisa ser calculada, justificada, documentada e compatível com os limites da IT 08.

O que é tempo equivalente?

Tempo equivalente é um procedimento usado para estimar um tempo de exposição térmica equivalente, considerando características do compartimento e do risco.

A IT 08/2025 apresenta a fórmula:

teq = 0,07 × qfi × γf × γs × W

Onde:

  • teq = tempo equivalente, em minutos;
  • qfi = carga de incêndio específica do compartimento, em MJ/m²;
  • γf = fatores relacionados ao risco e à ativação;
  • γs = fatores relacionados às medidas de proteção e características da edificação;
  • W = fator associado à ventilação ou características do compartimento, conforme a norma.

Essa fórmula deve ser aplicada apenas dentro das condições admitidas pela IT 08. Ela não autoriza reduções livres e não substitui a tabela-base sem justificativa técnica.

Quando pode haver isenção de TRRF?

A IT 08/2025 prevê isenções e reduções no Anexo A.

Essas condições precisam ser lidas de forma restritiva.

Para obter benefício de isenção de verificação ou redução de TRRF, a edificação deve atender aos objetivos do Regulamento de Segurança Contra Incêndio e possuir saídas de emergência, rotas de fuga e condições de ventilação dimensionadas conforme a regulamentação vigente.

As isenções não devem ser aplicadas por hábito ou por analogia sem análise técnica.

Um erro comum é presumir que determinada estrutura está isenta apenas por ser térrea, metálica, aberta lateralmente ou possuir sprinklers. A isenção precisa estar prevista e justificada.

Quais elementos precisam atender ao TRRF?

A necessidade de TRRF pode envolver elementos estruturais e de compartimentação.

Exemplos:

  • pilares;
  • vigas;
  • lajes;
  • paredes estruturais;
  • paredes de compartimentação;
  • painéis pré-moldados com função estrutural;
  • painéis alveolares usados para compartimentação;
  • coberturas, quando não isentas;
  • mezaninos;
  • passarelas, quando não enquadradas em isenção;
  • estruturas metálicas principais;
  • estruturas secundárias relevantes;
  • elementos que sustentam rotas de fuga;
  • elementos que sustentam compartimentações;
  • estruturas externas expostas ao incêndio.

A IT 08/2025 registra que lajes, painéis pré-moldados com função estrutural e painéis alveolares utilizados para compartimentação são considerados elementos estruturais.

O que é elemento de compartimentação?

Elemento de compartimentação é aquele que limita a propagação de fogo e fumaça entre ambientes, pavimentos ou setores.

Exemplos:

  • parede corta-fogo;
  • laje de compartimentação;
  • parede de separação;
  • fechamento resistente ao fogo;
  • elemento de vedação com função corta-fogo;
  • sistema de drywall ensaiado;
  • alvenaria com resistência ao fogo;
  • elemento de fachada ou shaft com função de compartimentação, conforme o caso.

A compartimentação é tratada principalmente na IT 09/2025, mas seus elementos também podem precisar atender a TRRF conforme a IT 08/2025.

Como comprovar o atendimento ao TRRF?

A IT 08/2025 aceita metodologias específicas para comprovação do TRRF.

Para elementos estruturais, podem ser aceitos:

  • ensaios específicos de resistência ao fogo em laboratório;
  • tabelas elaboradas a partir de ensaios de resistência ao fogo;
  • modelos matemáticos analíticos normatizados ou reconhecidos internacionalmente.

Para elementos de compartimentação, a IT 08 admite ensaios e tabelas elaboradas a partir de ensaios.

Quando a metodologia analítica for utilizada, a norma indica que sua aceitação pode depender de análise em Comissão Técnica, conforme o caso.

O que é ensaio de resistência ao fogo?

Ensaio de resistência ao fogo é um teste realizado em laboratório para avaliar quanto tempo determinado elemento ou sistema construtivo mantém funções como estabilidade, integridade e isolamento térmico sob exposição ao fogo.

O ensaio não avalia apenas o material isolado. Ele avalia um sistema, com dimensões, montagem, fixação, revestimentos, juntas e condições específicas.

Por isso, um laudo de ensaio deve ser interpretado com cuidado. O elemento instalado na obra precisa corresponder ao sistema ensaiado.

O que são tabelas de resistência ao fogo?

Tabelas de resistência ao fogo são tabelas baseadas em resultados de ensaio, normas ou referências técnicas que indicam o desempenho de determinados sistemas construtivos.

A IT 08/2025 possui anexos informativos, como:

  • tabela de resistência ao fogo para alvenaria;
  • tabela de resistência ao fogo de paredes em chapas de gesso para drywall;
  • tabela de proteção da estrutura.

Essas tabelas ajudam a comprovar desempenho, mas não dispensam a análise do sistema completo e da aplicação real.

O que é modelo matemático analítico?

Modelo matemático analítico é um método de cálculo usado para avaliar o comportamento de elementos estruturais em situação de incêndio.

Ele pode considerar temperatura, propriedades dos materiais, geometria, carga, exposição, fatores de segurança e normas de dimensionamento.

Na IT 08/2025, modelos analíticos são aceitos para elementos estruturais, desde que normatizados ou reconhecidos internacionalmente, e sua aceitação pode depender de análise em Comissão Técnica.

Esse caminho exige responsabilidade técnica e domínio de engenharia estrutural em situação de incêndio.

TRRF em estrutura metálica

Estruturas metálicas podem perder resistência e rigidez com o aumento da temperatura.

Por isso, muitas vezes precisam de proteção passiva para atender ao TRRF exigido.

A IT 08/2025 indica a ABNT NBR 14323 para dimensionamento de estruturas de aço de edifícios em situação de incêndio. Também admite dimensionamento por ensaios de resistência ao fogo de acordo com a NBR 5628.

A proteção de estrutura metálica pode envolver:

  • tinta intumescente;
  • argamassa projetada;
  • placas resistentes ao fogo;
  • revestimentos encapsulados;
  • soluções ensaiadas;
  • cálculos com base na seção e no fator de massividade;
  • proteção por forro resistente ao fogo, quando aplicável.

Não basta dizer que a estrutura é metálica. É preciso demonstrar se ela atende ou não ao TRRF exigido.

TRRF em estrutura de concreto

Estruturas de concreto podem apresentar desempenho favorável em incêndio, mas não devem ser presumidas como automaticamente conformes.

A IT 08/2025 adota a ABNT NBR 15200 para projeto de estruturas de concreto em situação de incêndio e também aceita dimensionamento por ensaios de resistência ao fogo conforme a NBR 5628.

A resistência ao fogo de concreto depende de fatores como:

  • cobrimento das armaduras;
  • dimensão da seção;
  • tipo de elemento;
  • exposição ao fogo;
  • armadura;
  • agregado;
  • esbeltez;
  • apoio;
  • risco de desplacamento;
  • função estrutural;
  • presença de revestimentos;
  • integridade da execução.

O responsável técnico deve verificar o elemento real, não apenas o material genérico.

TRRF em madeira

A IT 08/2025 trouxe uma Parte 2 específica para sistemas construtivos em madeira.

Esse bloco trata de madeira massiva e wood frame, com critérios próprios de tipologia, compartimentação, limites, revestimentos, ligações e desempenho.

A madeira possui comportamento próprio em incêndio, com carbonização superficial e perda progressiva de seção resistente. Em sistemas leves, cavidades, revestimentos, juntas, ligações e espaços ocultos podem alterar significativamente o desempenho.

Por isso, edificações em madeira devem ser avaliadas pela Parte 2 da IT 08/2025, além das demais exigências do Regulamento.

TRRF em drywall e alvenaria

Paredes em drywall e alvenaria podem ser usadas como elementos de compartimentação ou vedação, desde que tenham desempenho comprovado.

A IT 08/2025 possui anexos com tabelas de resistência ao fogo para alvenaria e paredes em chapas de gesso para drywall.

O ponto crítico é que o desempenho depende do sistema completo:

  • tipo de bloco ou chapa;
  • espessura;
  • revestimento;
  • juntas;
  • estrutura de suporte;
  • fixações;
  • isolamento interno;
  • tratamento de passagens;
  • selagens;
  • portas e aberturas;
  • execução em obra.

Uma parede “parecida” com a tabela não significa automaticamente que atende ao mesmo tempo de resistência ao fogo.

TRRF em coberturas

A IT 08/2025 estabelece que estruturas de coberturas que não atendam aos requisitos de isenção do Anexo A devem possuir, no mínimo, o mesmo TRRF das estruturas principais da edificação.

Esse ponto é importante em galpões, depósitos, indústrias, centros logísticos e edificações com coberturas metálicas.

A cobertura pode parecer elemento secundário, mas sua perda prematura pode comprometer estabilidade, propagação, acesso operacional, compartimentação e proteção das pessoas.

TRRF em mezaninos

Mezaninos metálicos que não atendam aos requisitos de isenção do Anexo A devem ter TRRF estabelecido conforme a IT 08 e a respectiva ocupação.

Esse tema aparece com frequência em lojas, galpões, depósitos, indústrias, escritórios internos e áreas comerciais.

Um mezanino pode alterar área, ocupação, rotas de fuga e necessidade de proteção estrutural. Por isso, deve ser analisado no processo de segurança contra incêndio.

TRRF em passarelas metálicas

A IT 08/2025 prevê hipótese de isenção para passarelas metálicas de acesso a prateleiras, constituídas por pisos vazados, desde que atendam a requisitos específicos.

Entre as condições estão ausência de permanência humana, acesso externo para combate ou resgate em todos os níveis, percentual mínimo de abertura, desvinculação da estrutura principal, ausência de armazenamento de mercadorias e presença das medidas de segurança exigidas.

A isenção é condicionada. Não se deve aplicar automaticamente a qualquer passarela metálica.

TRRF em subsolos e sobressolos

Subsolos e sobressolos exigem cuidado especial.

A IT 08/2025 indica que os subsolos e sobressolos, independentemente de seu uso, devem ter TRRF estabelecido em função do TRRF da ocupação a que pertencem, conforme o Anexo B.

Além disso, o TRRF dos elementos estruturais do subsolo, quando seu dano puder causar colapso progressivo das estruturas acima do solo, não pode ser inferior ao TRRF dos pavimentos acima do solo, a critério do profissional habilitado responsável pelo projeto.

Esse ponto é relevante em garagens, áreas técnicas, depósitos, salas de máquinas e subsolos com ocupação ou risco específico.

TRRF em ocupações mistas

Edificações com ocupação mista exigem atenção.

Exemplos:

  • edifício comercial com restaurante;
  • shopping com cinema;
  • hotel com auditório;
  • indústria com área administrativa e depósito;
  • hospital com laboratório;
  • prédio residencial com comércio no térreo;
  • escola com auditório e cozinha.

A IT 08/2025 possui item específico sobre ocupações mistas. A definição do TRRF deve considerar a ocupação predominante, as áreas compartimentadas, os riscos específicos e as exigências aplicáveis.

O erro comum é adotar o menor TRRF de uma das ocupações e aplicar ao conjunto sem justificativa.

TRRF e carga de incêndio

A carga de incêndio influencia o potencial de severidade do incêndio e pode entrar no procedimento de redução por tempo equivalente.

O Anexo E da IT 08 usa a carga de incêndio específica do compartimento analisado, conforme a IT 14/2025, no cálculo de tempo equivalente.

Isso mostra a relação entre:

  • IT 08 — TRRF e segurança estrutural;
  • IT 14 — carga de incêndio;
  • medidas de proteção ativa e passiva;
  • características do compartimento.

A carga de incêndio não substitui a tabela de TRRF, mas pode ser parte da análise quando a redução é tecnicamente admitida.

TRRF e sprinklers

A presença de chuveiros automáticos pode influenciar determinados procedimentos de redução de TRRF quando a IT 08 expressamente permitir.

No Anexo E, os fatores de medidas de segurança consideram, entre outros pontos, a existência de chuveiros automáticos, brigada e detecção automática.

Isso não significa que sprinkler elimina o TRRF.

Sprinklers são medida ativa de combate automático. TRRF é requisito de resistência passiva. As medidas podem se relacionar, mas não se substituem sem previsão normativa.

TRRF e detecção automática

A existência de detecção automática pode ser considerada em fatores do procedimento de redução, quando aplicável conforme a IT 08.

A detecção pode reduzir o tempo de resposta, antecipar o alarme e favorecer a atuação inicial. Porém, isso não elimina a necessidade de desempenho estrutural.

O sistema de detecção deve atender à IT 19/2025 e à norma técnica aplicável.

TRRF e brigada de incêndio

A brigada de incêndio também aparece entre os fatores de medidas de segurança no procedimento de redução da IT 08.

Isso reforça a visão integrada da segurança contra incêndio. Estrutura, compartimentação, detecção, sprinklers, brigada e saídas de emergência atuam em conjunto.

Ainda assim, a existência de brigada não autoriza redução automática sem cálculo e sem enquadramento normativo.

TRRF e compartimentação

Compartimentação e TRRF são temas diretamente relacionados.

A compartimentação exige elementos com resistência ao fogo para impedir ou limitar propagação de fogo e fumaça.

Esses elementos precisam manter integridade, estanqueidade e isolamento térmico pelo tempo requerido.

A IT 09/2025 trata da compartimentação horizontal e vertical, enquanto a IT 08/2025 fornece critérios de resistência ao fogo para elementos estruturais e de compartimentação.

TRRF e isolamento de risco

O isolamento de risco pode envolver paredes e elementos com resistência ao fogo.

Quando a solução de isolamento depende de parede corta-fogo ou elemento resistente, o TRRF pode ser parte da análise.

A IT 07/2025 trata da separação entre edificações. A IT 08/2025 pode ser necessária para comprovar o desempenho dos elementos utilizados como barreira resistente ao fogo.

TRRF e saídas de emergência

A segurança estrutural e o TRRF são importantes para preservar rotas de fuga.

Escadas, halls protegidos, corredores, áreas de refúgio, descargas e elementos que sustentam essas rotas precisam manter condições compatíveis com o abandono.

A IT 11/2025 trata de saídas de emergência, mas sua efetividade depende de estabilidade estrutural, compartimentação, iluminação, sinalização e controle de fumaça.

TRRF e elevador de emergência

O elevador de emergência exige proteção estrutural específica.

A IT 11/2025 exige que sua caixa seja enclausurada por paredes com TRRF equivalente ao da edificação, conforme a IT 08, mas nunca inferior a 120 minutos.

Esse é um exemplo claro de como o TRRF aparece em medidas específicas além da estrutura principal.

TRRF e proteção passiva

TRRF é um dos principais conceitos da proteção passiva contra incêndio.

A proteção passiva inclui soluções incorporadas à edificação, como:

  • resistência estrutural;
  • paredes corta-fogo;
  • compartimentação;
  • selagens;
  • portas corta-fogo;
  • proteção de estruturas metálicas;
  • revestimentos resistentes ao fogo;
  • forros resistentes ao fogo;
  • elementos de vedação com desempenho comprovado.

Essas medidas não dependem de acionamento automático para iniciar sua função. Elas precisam estar corretamente projetadas, executadas e mantidas.

O que é proteção de estrutura?

Proteção de estrutura é a aplicação de soluções que aumentam a resistência ao fogo de elementos estruturais.

Pode envolver:

  • tinta intumescente;
  • argamassa projetada;
  • placas resistentes ao fogo;
  • revestimentos encapsulados;
  • encamisamento;
  • forros resistentes ao fogo;
  • sistemas ensaiados;
  • soluções específicas para madeira;
  • proteção de ligações e conexões.

A proteção deve ser dimensionada para o TRRF exigido. Não basta aplicar material “resistente ao fogo” sem cálculo, ensaio ou especificação compatível.

O que é tinta intumescente?

Tinta intumescente é um revestimento que expande quando exposto ao calor, formando uma camada isolante que retarda o aquecimento do elemento estrutural.

É comum em estruturas metálicas aparentes, quando se busca preservar a estética da estrutura.

A especificação deve considerar:

  • TRRF exigido;
  • perfil metálico;
  • fator de massividade;
  • espessura seca necessária;
  • primer;
  • acabamento;
  • ambiente de exposição;
  • carta de cobertura;
  • ensaios;
  • manutenção;
  • inspeção de espessura.

Tinta intumescente não é pintura comum. É sistema de proteção passiva.

O que é argamassa projetada contra fogo?

Argamassa projetada contra fogo é um revestimento aplicado sobre elementos estruturais para aumentar sua resistência ao fogo.

É muito usada em estruturas metálicas em áreas técnicas, estacionamentos, indústrias, depósitos e locais onde a estética não é o principal fator.

A aplicação deve observar espessura, aderência, resistência mecânica, ambiente, impacto, manutenção e desempenho comprovado.

O que são placas resistentes ao fogo?

Placas resistentes ao fogo são sistemas construtivos usados para proteger estruturas, formar paredes, revestimentos, shafts, forros ou compartimentações com desempenho ao fogo.

Podem ser aplicadas em estruturas metálicas, paredes, dutos, shafts, sistemas em drywall e outras soluções.

O desempenho depende do sistema completo: quantidade de placas, espessura, juntas, fixação, estrutura de suporte, aberturas, selagens e execução.

O que é carta de cobertura?

Carta de cobertura é o documento técnico do sistema de proteção contra fogo que indica, conforme ensaios ou avaliações técnicas, as condições de aplicação do produto para determinado TRRF.

Ela pode relacionar:

  • tipo de material;
  • elemento protegido;
  • perfil ou seção;
  • fator de massividade;
  • espessura requerida;
  • condições de aplicação;
  • limites de uso;
  • desempenho esperado.

A IT 08/2025 exige que, quando aplicado material de revestimento contra fogo, seja apresentada tabela de proteção da estrutura conforme o Anexo F, com a carta de cobertura do material.

O que é memorial de segurança contra incêndio das estruturas?

É o documento técnico que demonstra como a edificação atende ao TRRF exigido.

Deve apresentar, conforme o caso:

  • ocupação;
  • altura;
  • grupo e divisão;
  • TRRF requerido;
  • elementos analisados;
  • tipo de estrutura;
  • materiais empregados;
  • metodologia de comprovação;
  • áreas com proteção contra fogo;
  • áreas isentas de revestimento, quando aplicável;
  • estruturas protegidas;
  • valores de resistência;
  • carta de cobertura;
  • tabelas, ensaios ou cálculos utilizados;
  • responsabilidade técnica;
  • conclusão de atendimento.

Esse memorial é essencial para rastreabilidade técnica e para conferência do processo.

O que a IT 01/2025 exige sobre TRRF no projeto?

A IT 01/2025 indica que, para segurança estrutural nas edificações, o projeto deve apresentar:

  • TRRF das estruturas em nota, legenda e memorial de construção, independentemente do tipo de estrutura;
  • tipos de estrutura e materiais empregados;
  • áreas onde as estruturas são protegidas com material resistente ao fogo;
  • locais isentos de revestimento, quando houver;
  • estruturas protegidas, respectivos valores e cartas de cobertura.

Esse ponto é importante porque o TRRF não deve ficar escondido apenas em um cálculo. Ele precisa aparecer no projeto e no memorial.

Como montar um quadro de TRRF no projeto?

Um quadro de TRRF pode conter:

Campo Conteúdo recomendado
Pavimento ou setor Térreo, subsolo, cobertura, bloco A
Ocupação Grupo e divisão
Classe S1, S2, P1, P2 etc.
TRRF requerido valor em minutos
Elemento pilar, viga, laje, parede, cobertura
Material aço, concreto, madeira, alvenaria, drywall
Método de comprovação ensaio, tabela ou cálculo
Proteção adotada tinta, argamassa, placa, sem proteção, concreto etc.
Documento comprobatório laudo, tabela, memorial, carta de cobertura
Observação isenção, redução, setor específico

Esse quadro facilita análise, execução, vistoria e manutenção.

TRRF em edificações existentes

Edificações existentes podem ter desafios específicos.

É comum encontrar:

  • ausência de projeto estrutural original;
  • estrutura metálica sem proteção;
  • reformas sem documentação;
  • mezaninos adicionados;
  • mudança de uso;
  • aumento de carga de incêndio;
  • compartimentação alterada;
  • ausência de memorial;
  • materiais desconhecidos;
  • proteção passiva danificada.

Nesses casos, a análise deve considerar a IT 08, a IT 43 quando aplicável, inspeção, levantamento técnico, documentação existente, laudos, ensaios, cálculos e soluções de adequação.

TRRF em reformas e ampliações

Reformas e ampliações podem alterar o TRRF exigido ou a necessidade de comprovação.

Exemplos:

  • aumento de altura;
  • criação de novo pavimento;
  • construção de mezanino;
  • mudança de ocupação;
  • aumento de área;
  • criação de depósito;
  • alteração para local de reunião de público;
  • troca de estrutura;
  • exposição de estrutura metálica antes protegida;
  • remoção de forro resistente ao fogo;
  • abertura de shafts e passagens.

A cada alteração relevante, o TRRF deve ser revisitado.

TRRF e manutenção

A resistência ao fogo não depende apenas do projeto inicial.

Ao longo do tempo, a proteção pode ser danificada por:

  • impactos;
  • umidade;
  • corrosão;
  • reformas;
  • passagem de instalações;
  • remoção de placas;
  • lixamento ou pintura indevida;
  • manutenção predial;
  • instalações elétricas;
  • abertura de furos;
  • troca de forros;
  • uso de materiais diferentes.

A edificação deve manter a proteção passiva em condições compatíveis com o desempenho exigido.

Como revisar TRRF em uma auditoria técnica?

Uma auditoria técnica pode verificar:

  1. se a ocupação está correta;
  2. se a altura e a classe foram determinadas corretamente;
  3. se o TRRF exigido foi identificado no Anexo B;
  4. se houve aplicação de isenção ou redução;
  5. se a isenção ou redução é admissível;
  6. se os elementos relevantes foram identificados;
  7. se há memorial;
  8. se há laudos, ensaios, tabelas ou cálculos;
  9. se a proteção passiva foi executada conforme especificação;
  10. se há carta de cobertura;
  11. se a proteção está íntegra;
  12. se reformas alteraram a solução;
  13. se o projeto está coerente com a edificação real.

Essa revisão é especialmente importante em edificações existentes, galpões, estruturas metálicas, hospitais, escolas, depósitos e locais de reunião de público.

Exemplo prático de leitura da tabela

Imagine uma edificação comercial varejista enquadrada no Grupo C, com divisão C-1.

Se a altura da edificação estiver na classe P3, isto é, maior que 12 m e menor ou igual a 23 m, a tabela-base do Anexo B indica TRRF de 60 minutos.

Se a mesma edificação estiver na classe P5, entre 30 m e 80 m, o TRRF indicado sobe para 120 minutos.

Esse exemplo mostra que o TRRF depende da combinação entre ocupação e altura. A ocupação isolada não basta; a altura isolada também não.

Exemplo prático em depósito

Um depósito do Grupo J pode ter TRRF diferente conforme sua divisão J-1, J-2, J-3 ou J-4.

Além disso, a IT 08 observa que, para depósito com inflamáveis, deve-se considerar J-4.

Isso demonstra que a presença de inflamáveis pode alterar a leitura da tabela e elevar a exigência.

Em depósitos, também é necessário verificar carga de incêndio, armazenamento, altura, sprinklers, hidrantes, compartimentação, isolamento de risco e demais medidas aplicáveis.

Exemplo prático em subsolo

Uma edificação com subsolo deve verificar a classe S1 ou S2 conforme a profundidade.

Se o subsolo tiver profundidade maior que 10 m, aplica-se a classe S2. Se for menor ou igual a 10 m, aplica-se S1.

Além disso, a IT 08 estabelece que o TRRF dos elementos estruturais do subsolo não pode ser inferior ao TRRF dos pavimentos acima quando seu dano puder causar colapso progressivo, a critério do profissional habilitado.

Esse ponto evita que subsolos sejam tratados de forma isolada quando sustentam a estrutura superior.

Exemplo prático em elevador de emergência

A IT 11/2025 exige que a caixa do elevador de emergência tenha TRRF equivalente ao da edificação, mas nunca inferior a 120 minutos.

Assim, se a edificação tiver TRRF de 90 minutos, a caixa do elevador de emergência ainda precisará atender ao mínimo de 120 minutos.

Esse é um exemplo de exigência específica que pode ser mais rigorosa do que a tabela-base da ocupação.

TRRF e responsabilidade técnica

A definição, comprovação e documentação do TRRF devem ser feitas por profissional habilitado, com responsabilidade técnica compatível.

O tema envolve:

  • engenharia de segurança contra incêndio;
  • engenharia estrutural;
  • arquitetura;
  • materiais;
  • ensaios laboratoriais;
  • proteção passiva;
  • execução e fiscalização de obra;
  • manutenção predial;
  • documentação para Corpo de Bombeiros.

A responsabilidade técnica deve corresponder ao escopo real do serviço. Um memorial genérico não substitui análise técnica do sistema construtivo.

TRRF e execução da obra

A execução é decisiva.

O projeto pode estar correto, mas a obra pode comprometer o desempenho se houver:

  • espessura insuficiente de tinta intumescente;
  • argamassa projetada mal aplicada;
  • placas resistentes ao fogo sem juntas tratadas;
  • passagens sem selagem;
  • proteção removida por instalações;
  • forro resistente ao fogo perfurado;
  • material diferente do especificado;
  • ausência de controle de qualidade;
  • falhas em ligações e conexões;
  • incompatibilidade entre laudo e obra executada.

A proteção passiva precisa ser executada como sistema técnico, não como acabamento comum.

Erros comuns sobre TRRF

Alguns erros aparecem com frequência:

  • confundir TRRF com duração real do incêndio;
  • confundir TRRF com TRF;
  • aplicar a tabela sem identificar corretamente a ocupação;
  • usar altura errada;
  • ignorar subsolos e sobressolos;
  • adotar isenção sem verificar o Anexo A;
  • aplicar redução sem cálculo;
  • sobrepor isenções e reduções indevidamente;
  • considerar estrutura metálica isenta sem comprovação;
  • presumir que concreto sempre atende;
  • não analisar madeira pela Parte 2 da IT 08;
  • usar laudo de material sem correspondência com o sistema instalado;
  • não apresentar carta de cobertura;
  • não informar TRRF em nota, legenda ou memorial;
  • esquecer mezaninos, passarelas e coberturas;
  • não revisar TRRF após reforma ou mudança de uso;
  • remover proteção passiva durante manutenção;
  • tratar tinta intumescente como pintura comum.

O TRRF exige rastreabilidade. É preciso saber qual tempo foi exigido, para qual elemento, por qual critério, com qual comprovação e com qual responsabilidade técnica.


Perguntas frequentes

O que significa TRRF?

TRRF significa Tempo Requerido de Resistência ao Fogo.

O que é TRRF?

É o tempo mínimo, em minutos, que elementos estruturais e de compartimentação devem resistir ao fogo conforme a norma aplicável.

Qual norma trata do TRRF em São Paulo?

A principal referência é a IT 08/2025 – Segurança estrutural contra incêndio.

TRRF é o mesmo que TRF?

Não. TRRF é o tempo requerido pela norma. TRF é o tempo de resistência ao fogo comprovado pelo elemento ou sistema construtivo.

TRRF é o tempo que o incêndio dura?

Não. É um requisito normativo de resistência ao fogo, não uma previsão exata da duração real do incêndio.

Onde consultar a tabela de TRRF?

Na IT 08/2025, especialmente no Anexo B – Tempos Requeridos de Resistência ao Fogo.

Como saber o TRRF de uma edificação?

É necessário identificar ocupação, grupo, divisão, altura ou profundidade do subsolo e consultar a tabela do Anexo B da IT 08/2025.

TRRF pode ser reduzido?

Pode haver procedimento de redução conforme o Anexo E da IT 08/2025, mas com restrições, cálculo e limite de redução de 30 minutos.

Toda estrutura precisa de TRRF?

A exigência depende do Regulamento, da IT 08, da ocupação, da altura, do elemento e das hipóteses de isenção ou redução previstas.

Estrutura metálica sempre precisa de proteção contra fogo?

Não necessariamente. Depende do TRRF exigido, do desempenho da seção, da exposição, da ocupação e da comprovação técnica.

Concreto sempre atende ao TRRF?

Não se deve presumir. A estrutura de concreto deve ser verificada conforme dimensões, cobrimento, armaduras, exposição e norma aplicável.

Madeira pode atender ao TRRF?

Sim, desde que o sistema seja projetado e comprovado conforme a IT 08/2025 Parte 2 e normas aplicáveis.

O que é memorial de TRRF?

É o documento técnico que demonstra o TRRF exigido, os elementos analisados, o método de comprovação, materiais, proteção passiva e conclusão de atendimento.

O que deve aparecer no projeto sobre TRRF?

O projeto deve indicar TRRF em nota, legenda e memorial, tipo de estrutura, materiais empregados, áreas protegidas, áreas isentas e cartas de cobertura quando houver proteção contra fogo.


Conclusão

TRRF é o Tempo Requerido de Resistência ao Fogo. Ele indica, em minutos, o desempenho mínimo que elementos estruturais e de compartimentação devem atender em situação de incêndio.

No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 08/2025 – Segurança estrutural contra incêndio. A norma está organizada em Parte 1, com requisitos gerais, e Parte 2, dedicada a sistemas construtivos em madeira.

O TRRF deve ser determinado com base na ocupação, divisão, altura ou profundidade de subsolo, conforme o Anexo B da IT 08/2025. Também podem existir isenções, reduções e critérios especiais, mas sempre com base normativa e documentação técnica.

Mais do que copiar um número da tabela, o responsável técnico deve comprovar que os elementos estruturais e de compartimentação atendem ao tempo requerido. Essa comprovação pode ocorrer por ensaios, tabelas, modelos analíticos ou métodos reconhecidos, conforme a norma.

O TRRF se relaciona diretamente com proteção passiva, estruturas metálicas, concreto, madeira, drywall, alvenaria, compartimentação, saídas de emergência, elevador de emergência, subsolos, mezaninos, coberturas e edificações existentes.

Consulte a IT 08/2025 completa no Guia SEGCI e acompanhe os próximos conteúdos da série sobre tabela de TRRF, proteção de estrutura metálica, memorial de segurança estrutural, isenção e redução de TRRF, wood frame, madeira massiva e comparativo entre IT 08/2019 e IT 08/2025.


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