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Sumário

Curso de Pressurização de Escadas: dos fundamentos ao dimensionamento completo, comissionamento e CONTAM

Projetar um sistema de pressurização de escadas não se resume a escolher um ventilador, lançar um duto em projeto e definir algumas grelhas de insuflamento.

O sistema depende da interação entre arquitetura, controle de fumaça, dinâmica dos fluidos, ventilação, compartimentação, portas corta-fogo, detecção e alarme, alimentação elétrica, distribuição do ar e seleção de equipamentos. Além disso, o desempenho previsto em projeto precisa ser comprovado depois da instalação.

É justamente essa sequência que orienta o Curso de Pressurização de Escadas da Academia de Segurança Contra Incêndio — ASCI, conduzido pelo Tenente-Coronel Domingos Sávio Almonfrey.

A formação foi organizada em 17 módulos e acompanha o desenvolvimento do sistema desde a pergunta inicial — quando uma escada precisa ser pressurizada? — até questões como cálculo da vazão, perdas de carga, pressão total, curva do ventilador, balanceamento das grelhas, dimensionamento do damper, comissionamento e modelagem computacional no CONTAM.

A gravação integral da formação resultou em aproximadamente 23 horas e 20 minutos de conteúdo, posteriormente organizado e editado para acesso pela plataforma da ASCI.

Ilustração técnica mostrando os componentes de um sistema de pressurização de escadas
O sistema integra tomada de ar externo, motoventilador, dutos, grelhas de insuflamento, portas corta-fogo e a própria rota de fuga.

Por que o projeto de uma escada pressurizada precisa ser entendido como um sistema?

Uma das ideias que atravessa praticamente todo o curso é que vazão, pressão, arquitetura e equipamentos não podem ser tratados separadamente.

Um ventilador pode fornecer uma grande quantidade de ar e, ainda assim, não produzir a pressão necessária no ponto mais desfavorável da escada. Da mesma forma, um sistema superdimensionado pode criar outro problema: pressão excessiva e aumento do esforço necessário para abertura das portas.

O caminho do ar também importa. O projetista precisa saber de onde o ar externo será captado, como chegará ao motoventilador, como será filtrado, quais perdas encontrará no percurso, como será distribuído pelos pavimentos e, finalmente, por onde deixará os ambientes.

Por isso, o conteúdo do curso avança progressivamente. Primeiro são apresentados os fundamentos físicos e normativos. Depois entram arquitetura e componentes. Em seguida começam os cálculos. Por fim, todas essas partes são reunidas em um exercício completo e posteriormente transportadas para uma modelagem no CONTAM.

1. Fundamentos, saída de emergência e controle de fumaça

Módulo 1 — Introdução e Conceitos Fundamentais

O primeiro módulo posiciona a escada pressurizada dentro do conjunto das saídas de emergência e dos sistemas de controle de fumaça.

São discutidas as diferenças entre escadas comuns, escadas enclausuradas protegidas, escadas à prova de fumaça com ventilação natural e escadas à prova de fumaça pressurizadas.

O aluno começa entendendo por que a pressurização existe: criar condições para que a caixa da escada continue funcionando como uma rota de relativa segurança durante um incêndio, dificultando a entrada de fumaça.

O curso também relaciona a proteção da escada aos critérios de resistência ao fogo, integridade, isolamento térmico, estanqueidade e compartimentação, discutindo paredes, portas corta-fogo e proteção de dutos.

Módulo 2 — Exigência da Escada Pressurizada

Antes de dimensionar qualquer equipamento, é necessário determinar corretamente a exigência.

O módulo trabalha conceitos como:

  • altura ascendente e descendente da edificação;
  • pavimento e nível de descarga;
  • último pavimento ocupado;
  • ocupação da edificação;
  • tabelas de exigências;
  • possibilidade de substituição de outros modelos de escada por uma solução pressurizada.

Durante as aulas aparecem situações que costumam gerar dúvida nos projetos reais: terrenos em desnível, edificações com mais de uma saída de descarga, pavimentos técnicos, áreas ocupadas na cobertura e separação entre pavimentos superiores e subsolos.

Módulo 3 — Funcionamento do Sistema

A partir desse ponto, a formação entra na física da pressurização.

A lógica fundamental é estabelecer um diferencial de pressão entre a escada e os ambientes adjacentes. O objetivo é fazer com que, ao existir uma abertura, o movimento predominante do ar seja do espaço protegido em direção ao ambiente externo à escada, e não o contrário.

O módulo aborda:

  • espaço pressurizado;
  • trajetória do ar;
  • invasão da fumaça;
  • comportamento com portas abertas e fechadas;
  • sistemas de estágio único;
  • sistemas de dois estágios;
  • alívio de sobrepressão.

Uma das primeiras distinções importantes do curso: pressão diferencial dentro da escada e pressão total requerida do ventilador são grandezas relacionadas, mas não são a mesma coisa.

2. O que existe fisicamente em um sistema de pressurização?

Módulo 4 — Componentes do Sistema

Depois de entender por que a pressurização funciona, o aluno passa a reconhecer os elementos que efetivamente constituem o sistema.

  • grupo motoventilador;
  • tomada de ar externo;
  • veneziana;
  • filtro;
  • duto de sucção;
  • duto de pressurização;
  • grelhas de insuflamento;
  • registros de vazão;
  • dampers de sobrepressão;
  • sensores diferenciais de pressão;
  • variador de frequência;
  • fonte de energia.

A discussão não fica apenas no nome dos componentes. A aula relaciona cada elemento às decisões que aparecerão posteriormente no dimensionamento.

Módulo 5 — Sistema de Acionamento

Uma escada pressurizada também precisa entrar em funcionamento no momento correto.

Por isso, o curso relaciona a pressurização aos sistemas de detecção e alarme de incêndio, abordando detecção automática de fumaça, acionadores manuais, central de alarme, comandos do motoventilador, detectores na casa de máquinas e funcionamento em situação de emergência.

Entre as dúvidas discutidas estão o posicionamento dos detectores, os pontos de comando e a lógica de acionamento e desligamento do sistema.

Módulo 6 — Arquitetura da Escada Pressurizada

Este é um ponto particularmente importante para quem desenvolve projetos: a arquitetura pode favorecer ou inviabilizar determinadas soluções de pressurização.

O curso analisa a posição da tomada de ar, riscos de captação de fumaça, afastamentos de aberturas, casa de máquinas, corredores, antecâmaras, elevador de emergência, portas corta-fogo, subsolos e pavimento de descarga.

São discutidos, por exemplo, casos em que projeções da fachada, mezaninos ou aberturas inferiores interferem na escolha de uma posição segura para a tomada de ar externo.

3. Como distribuir o ar ao longo da escada?

Módulo 7 — Distribuição de Ar

Depois de insuflado, o ar precisa chegar de maneira adequada aos diferentes pontos da caixa da escada.

O módulo aborda duto vertical, pleno, posicionamento e espaçamento das grelhas, registros de vazão, materiais dos dutos, velocidades de escoamento, anticâmaras, alimentação do elevador de emergência e fonte alternativa de energia.

Um aspecto importante é o balanceamento. Instalar várias grelhas ao longo de um duto não significa que todas receberão automaticamente a mesma vazão.

As perdas variam ao longo da rede. Por isso, o projeto precisa prever condições de regulagem e o sistema instalado deve ser posteriormente ajustado em campo.

4. Pressão não é apenas um número: efeito pilha, vento e abertura das portas

Módulo 8 — Fenômenos que Influenciam o Sistema

Edificações não são ambientes estáticos. Temperatura, altura, vento e incêndio alteram o comportamento das pressões internas.

O curso dedica um módulo aos fenômenos que podem interferir no sistema, com destaque para o efeito chaminé ou efeito pilha, especialmente relevante em edifícios altos e em situações de diferença significativa entre as temperaturas interna e externa.

Módulo 9 — Critérios de Pressurização

Pressurizar não significa simplesmente aumentar a pressão indefinidamente.

Existe uma faixa de funcionamento que precisa atender simultaneamente a diferentes objetivos:

  • manter diferencial suficiente para dificultar a entrada de fumaça;
  • preservar velocidade adequada do ar quando determinadas portas estão abertas;
  • evitar sobrepressão excessiva;
  • permitir que as portas continuem sendo abertas durante o abandono.

Esse equilíbrio explica uma das perguntas recorrentes das aulas: quanto mais pressão, melhor? A resposta é não. Uma pressão excessiva também pode comprometer a utilização da saída de emergência.

5. Como se calcula a vazão necessária?

Módulo 10 — Dimensionamento da Vazão

A partir daqui, o curso entra diretamente no cálculo.

A vazão necessária depende da configuração real da escada: número de pavimentos, quantidade de portas, existência de antecâmaras, portas consideradas abertas durante a condição de projeto e vazamentos existentes quando as portas permanecem fechadas.

São desenvolvidos conceitos de:

  • áreas de vazamento;
  • frestas de portas fechadas;
  • portas abertas;
  • áreas associadas em paralelo;
  • áreas associadas em série;
  • área equivalente;
  • fatores de segurança;
  • vazão final de projeto.

Um dos exemplos desenvolvidos ao longo das aulas utiliza uma edificação de 18 pavimentos. Depois das áreas de escape, condições de portas e fatores adotados no exercício, chega-se a uma vazão didática próxima de 5,26 m³/s.

Esse número não deve ser entendido como parâmetro para outros projetos. Ele é importante porque passa a acompanhar o restante do exercício, mostrando como uma vazão calculada se transforma em dimensões de dutos, filtros, grelhas, perdas de carga e seleção do ventilador.

6. Por que conhecer apenas a vazão não é suficiente?

Módulo 11 — Dimensionamento da Pressão Total

Esta é uma das principais transições conceituais do treinamento.

Depois de determinar quanto ar o sistema precisa movimentar, é necessário saber quanta pressão o ventilador deverá fornecer para movimentar esse ar pelo circuito e ainda preservar o diferencial requerido na escada.

Entram no cálculo:

  • perdas de carga distribuídas nos trechos retos;
  • perdas localizadas;
  • curvas e cotovelos;
  • transições;
  • venezianas;
  • filtros;
  • grelhas;
  • registros;
  • pressão dinâmica;
  • velocidade do ar;
  • diferencial de pressão requerido no espaço protegido.

A aula utiliza conceitos de mecânica dos fluidos, relações de pressão e referências para cálculo das perdas localizadas, inclusive ferramentas baseadas em dados da ASHRAE.

Vazão total não seleciona sozinha um ventilador. É necessário conhecer também a pressão que o equipamento deverá vencer no ponto de operação.

Balanceamento das grelhas

O módulo aprofunda ainda a distribuição da vazão pelas grelhas.

No exemplo de 18 pavimentos, são trabalhadas dez grelhas e analisado o comportamento da vazão à medida que o ar deixa o duto em cada ponto.

O curso mostra que o equilíbrio previsto em projeto precisa ser complementado pela regulagem do sistema instalado, utilizando registros de vazão e medições em campo.

7. Como selecionar o ventilador e os demais equipamentos?

Módulo 12 — Seleção do Ventilador

Com vazão e pressão calculadas, finalmente existe informação suficiente para procurar um ventilador.

O aluno passa a trabalhar com:

  • curva do ventilador;
  • curva do sistema;
  • ponto de operação;
  • potência do motor;
  • regiões de estabilidade;
  • efeito do sistema;
  • condições de instalação.

O professor também chama atenção para um problema que pode surgir mesmo quando o equipamento foi corretamente selecionado em catálogo: uma instalação inadequada pode alterar seu desempenho real.

Curvas imediatamente na descarga, obstruções próximas ao bocal, dimensões inadequadas do pleno e outras interferências podem introduzir o chamado efeito do sistema.

Dimensionamento de dutos, venezianas e filtros

A partir da vazão obtida anteriormente, o curso parte para a escolha das dimensões do duto de sucção e da veneziana de tomada de ar.

Também é mostrado que o filtro não pode ser tratado como um acessório irrelevante. Sua área e sua perda de carga influenciam o desempenho do conjunto.

No exercício didático, a solução passa por um conjunto com aproximadamente seis placas filtrantes.

Dimensionamento das grelhas

A quantidade de grelhas, a vazão destinada a cada uma, a velocidade adotada e a área efetiva indicada pelo fabricante são relacionadas para chegar a uma dimensão comercial.

No exemplo apresentado, uma das soluções resulta em grelha próxima de 625 × 325 mm. Quando a distribuição é alterada para um número maior de grelhas, a vazão individual diminui e outras dimensões tornam-se possíveis.

Dimensionamento do damper de sobrepressão

O damper aparece como dispositivo de controle e alívio quando a pressão da caixa da escada ultrapassa a condição ajustada.

No exercício, é trabalhada uma vazão de alívio próxima de 0,76 m³/s, seguida da consulta e seleção do equipamento.

Outro ponto enfatizado é que o damper escolhido em projeto ainda precisa ser regulado durante o comissionamento.

8. O ar entrou na escada. Para onde ele vai?

Módulo 13 — Métodos de Escape do Ar

Este módulo amplia a análise para além da caixa da escada.

Se o sistema injeta continuamente ar em um espaço, é necessário entender por onde esse ar poderá escapar e quais ambientes encontrará nesse percurso.

São analisados métodos de escape por:

  • janelas;
  • aberturas específicas;
  • dutos;
  • extração mecânica;
  • outras soluções admitidas conforme o critério normativo aplicável.

O tema se torna especialmente importante quando existem antecâmaras, subsolos, shafts ou sistemas mecanizados de controle de fumaça.

As aulas também mostram que há diferenças entre regulamentações estaduais. Uma solução admitida em determinado estado pode encontrar exigências adicionais em outro, razão pela qual o projetista precisa analisar a regulamentação efetivamente aplicável ao empreendimento.

9. Como saber se aquilo que foi calculado realmente funciona?

Módulo 14 — Comissionamento

O comissionamento é apresentado como parte integrante do sistema, e não como uma simples formalidade depois da instalação.

Entre as verificações discutidas estão:

  • regulagem das grelhas;
  • medição do diferencial de pressão;
  • medição da velocidade do ar nas portas abertas;
  • verificação das vazões;
  • controle da pressão máxima;
  • acionamento do sistema;
  • integração com detecção e alarme;
  • correção de desvios encontrados.

Uma dúvida recorrente durante a aula foi: quantas portas precisam estar abertas durante o ensaio?

A resposta está relacionada à condição utilizada no próprio dimensionamento. O teste deve reproduzir a quantidade de portas consideradas abertas no projeto e no critério normativo correspondente — podendo ser uma, duas, três ou mais, dependendo da situação.

Módulo 15 — Operação e Manutenção

O sistema precisa continuar funcionando depois do comissionamento.

O curso aborda testes periódicos, verificações anuais, manutenção e situações em que o desempenho encontrado em campo exige correções em registros, grelhas, dutos ou outros componentes.

É a conexão entre três momentos diferentes: projeto, instalação e funcionamento real.

   
O exercício conecta cálculo, rede de dutos, componentes, curva do ventilador e comportamento do sistema.

10. Um projeto completo desenvolvido do início ao fim

Módulo 16 — Exercício Completo de Dimensionamento

Depois de percorrer os conceitos individualmente, o curso reúne as etapas em um único exercício.

A sequência acompanha o caminho físico do ar:

  1. determinação da vazão necessária;
  2. tomada de ar externo;
  3. dimensionamento da veneziana;
  4. duto de sucção;
  5. pleno;
  6. filtro;
  7. motoventilador;
  8. duto de pressurização;
  9. perdas distribuídas e localizadas;
  10. distribuição pelas grelhas;
  11. análise do ponto mais desfavorável;
  12. pressão total;
  13. seleção do ventilador;
  14. dimensionamento do damper;
  15. verificação final e posterior regulagem em campo.

É nesse exercício que fica evidente uma característica importante do projeto: o dimensionamento é iterativo.

Alterar a dimensão de um duto muda a velocidade. Alterar a velocidade muda as perdas. Alterar as perdas muda a pressão requerida. E uma nova pressão pode mudar o ventilador que havia sido inicialmente selecionado.

Por isso, a planilha é utilizada como instrumento de organização dos cálculos, mas não substitui o julgamento técnico do projetista.

A formação inclui planilha desenvolvida pelo professor para organizar os parâmetros e apoiar o desenvolvimento dos cálculos.

11. Antecâmaras e vasos comunicantes: um aprofundamento surgido durante as aulas

As perguntas dos alunos fizeram com que a formação ganhasse ainda um aprofundamento sobre vasos comunicantes entre escada e antecâmara.

O tema é tratado com cautela porque sua aplicação não é universalmente aceita da mesma maneira por todas as regulamentações.

A aula analisa o que acontece quando a escada funciona como uma primeira câmara pressurizada e transfere ar para uma segunda câmara — a antecâmara — através de uma abertura dimensionada.

São comparadas condições com:

  • duas portas fechadas;
  • porta da escada aberta;
  • porta da antecâmara aberta;
  • duas portas abertas;
  • alterações de pressão e velocidade do ar.

O exercício mostra ainda que a área calculada precisa ser convertida em uma dimensão real de grelha ou veneziana e posteriormente reinserida no cálculo.

Também surgem questões sobre localização do damper, utilização de sensores diferenciais de pressão em diferentes alturas da edificação e aplicação de inversores de frequência para compensar variações do sistema.

12. Do cálculo simplificado para a simulação computacional

Módulo 17 — Introdução ao CONTAM

O último módulo apresenta o CONTAM, software desenvolvido pelo NIST para modelagem de fluxos de ar e contaminantes em edificações.

A proposta não é transformar esse módulo em um curso completo do programa. O objetivo é mostrar ao projetista como os conceitos trabalhados anteriormente podem ser representados em um modelo de zonas e caminhos de fluxo.

Durante a demonstração são trabalhados:

  • pavimentos e zonas;
  • paredes e ambientes;
  • portas e frestas;
  • caminhos de vazamento;
  • elemento específico de escada;
  • dutos;
  • filtros;
  • grelhas;
  • ventilador;
  • pressões;
  • vazões;
  • vento e efeito chaminé.

O mesmo edifício utilizado no exercício convencional é levado para o ambiente computacional. Isso permite comparar o comportamento previsto pela planilha com a distribuição calculada em uma representação com múltiplas zonas e caminhos de fluxo.

Durante a interpretação dos resultados, são observadas diferenças de pressão ao longo da escada, vazão em cada pavimento e redução progressiva do fluxo dentro do duto à medida que o ar é distribuído pelas grelhas e pelos vazamentos.

O módulo introdutório de CONTAM transporta os conceitos de pressão, vazão, zonas e caminhos de fluxo para uma modelagem computacional.

Planilha ou CONTAM: qual deve ser utilizado?

Essa foi uma das dúvidas que apareceram no encerramento do curso.

A resposta apresentada é que as duas ferramentas não são concorrentes.

Uma planilha pode representar de maneira adequada muitos sistemas convencionais e edificações mais simples. À medida que surgem edifícios altos, múltiplos espaços pressurizados, antecâmaras e uma rede mais complexa de vazamentos e caminhos de fluxo, uma simulação pode fornecer uma leitura mais detalhada do comportamento do sistema.

O CONTAM também não transforma automaticamente uma planta de AutoCAD ou Revit em um modelo pronto. O projetista precisa definir zonas, conexões, aberturas, vazamentos, componentes e parâmetros. Portanto, o resultado continua dependendo diretamente da qualidade dos dados de entrada.

As dúvidas dos alunos revelam onde realmente está a complexidade do projeto

Além do conteúdo programático, um dos aspectos mais interessantes da formação está nas perguntas levantadas durante as aulas. Elas mostram que a dificuldade do tema geralmente não está em uma única fórmula, mas na conexão entre diversas decisões.

50 Pa é a pressão que devo informar para selecionar o ventilador?

Não. O diferencial de pressão estabelecido para a caixa da escada não corresponde sozinho à pressão total que o ventilador deverá fornecer.

O equipamento ainda precisa vencer as perdas distribuídas e localizadas de todo o circuito, além de entregar a condição necessária no espaço pressurizado.

Se eu já calculei a vazão, o sistema está dimensionado?

Não. A vazão é apenas um dos parâmetros. A pressão total também precisa ser calculada antes da seleção adequada do ventilador.

Quanto maior a pressão dentro da escada, melhor?

Não necessariamente. Sobrepressão pode aumentar o esforço necessário para abertura das portas e comprometer a utilização da própria rota de fuga.

As grelhas distribuem automaticamente a mesma vazão?

Não. As perdas são diferentes ao longo da rede. O projeto precisa prever regulagem e o balanceamento deve ser conferido em campo.

Posso corrigir um ventilador muito grande simplesmente fechando as grelhas?

Isso não representa uma solução adequada para um erro de dimensionamento. A alteração da resistência da rede também modifica o ponto de operação do ventilador e pode levar o equipamento para uma condição inadequada de funcionamento.

Quantas portas devem ser abertas no comissionamento?

As portas consideradas abertas precisam corresponder à condição estabelecida no dimensionamento e ao critério normativo utilizado no projeto.

O damper resolve qualquer problema de sobrepressão?

Não. Ele é um componente de controle e regulagem. Um sistema significativamente superdimensionado pode exigir intervenções que vão além do simples ajuste do damper.

O CONTAM substitui a planilha?

Não. A formação apresenta as duas abordagens como ferramentas diferentes para níveis diferentes de análise.

O CONTAM importa AutoCAD ou Revit e calcula automaticamente?

Não. O modelo precisa ser construído e parametrizado pelo projetista.

Vasos comunicantes podem ser utilizados em qualquer projeto?

Também não. O curso apresenta a solução, seu funcionamento e uma metodologia de análise, mas chama atenção para limitações e diferenças entre regulamentações.

Um exemplo que acompanha o raciocínio até o final

Ao longo das aulas, vários dos cálculos são conectados a um mesmo edifício de referência. Isso permite acompanhar a evolução do projeto sem que cada módulo se transforme em um exercício isolado.

Entre os valores que aparecem no exemplo didático estão:

  • edificação com 18 pavimentos;
  • vazão final próxima de 5,26 m³/s;
  • dez grelhas utilizadas em uma das configurações;
  • duto de referência próximo de 1.800 × 500 mm em determinado trecho;
  • filtro organizado com aproximadamente seis placas;
  • grelha de referência próxima de 625 × 325 mm;
  • vazão de alívio do damper próxima de 0,76 m³/s;
  • seleção de ventilador utilizando vazão e pressão total calculadas.

Esses números pertencem ao exercício apresentado em aula e não devem ser reproduzidos como parâmetros universais. A importância deles é permitir que o aluno acompanhe como um dado calculado em uma etapa interfere na etapa seguinte.

Materiais que acompanham a formação

A versão editada do Curso de Pressurização de Escadas reúne, além das aulas organizadas em 17 módulos:

  • apostila completa para acompanhamento e consulta;
  • planilha de Excel desenvolvida pelo professor para apoio aos cálculos;
  • exercício completo de dimensionamento;
  • introdução ao software CONTAM;
  • acesso às aulas por um ano;
  • suporte individual por WhatsApp durante 90 dias;
  • certificado emitido pela ASCI.
Apostila do Curso de Pressurização de Escadas da ASCI
Apostila técnica que acompanha o Curso de Pressurização de Escadas.

Quem é o professor Sávio Almonfrey?

O curso é conduzido pelo Tenente-Coronel Domingos Sávio Almonfrey, profissional cuja trajetória reúne atividade acadêmica, engenharia e experiência técnica em Segurança Contra Incêndio.

Sávio possui formação em Engenharia de Segurança Contra Incêndio e Pânico pela ABM-DF/Universidade de Brasília, Engenharia Ambiental pela Universidade Federal do Espírito Santo, especialização em Segurança Contra Incêndio pelo Instituto Federal da Bahia e mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES.

Sua atuação inclui análise de projetos, desenvolvimento e interpretação de requisitos técnicos e formação de profissionais. Ao longo da carreira docente, ministrou conteúdos ligados a Segurança Contra Incêndio, saídas de emergência e pressurização de escadas em diferentes instituições.

A experiência em Engenharia Ambiental também se relaciona diretamente ao tema do curso, principalmente pelos estudos de ventilação, dinâmica dos fluidos e movimentação do ar.

Para quem a formação foi estruturada?

O conteúdo interessa principalmente a profissionais que precisam projetar, analisar, especificar, executar ou verificar sistemas de Segurança Contra Incêndio, entre eles:

  • engenheiros;
  • arquitetos;
  • projetistas;
  • consultores;
  • bombeiros militares;
  • profissionais de Segurança Contra Incêndio;
  • instaladores;
  • responsáveis por comissionamento;
  • profissionais de PPCI e PSCIP;
  • profissionais de ventilação e climatização;
  • profissionais de análise e aprovação de projetos;
  • estudantes da área.

O que diferencia a estrutura deste curso?

Observando os 17 módulos em conjunto, o principal ponto da formação é a tentativa de preservar a cadeia completa de decisões de projeto.

O aluno não começa pela escolha do ventilador. Antes disso, precisa compreender:

enquadramento → arquitetura → comportamento da fumaça → diferencial de pressão → componentes → distribuição do ar → áreas de vazamento → vazão → perdas de carga → pressão total → equipamentos → escape do ar → comissionamento → manutenção → simulação.

Essa sequência ajuda a explicar por que um projeto aparentemente simples pode apresentar problemas depois de executado. Cada componente faz parte de um sistema e uma alteração em uma etapa pode modificar todas as seguintes.

Ao final, a proposta é que o profissional consiga olhar para uma escada pressurizada não apenas como um conjunto de fórmulas ou equipamentos, mas como um sistema de Segurança Contra Incêndio cujo desempenho precisa ser previsto, calculado, especificado, executado e posteriormente verificado.


Curso de Pressurização de Escadas — ASCI

O conteúdo completo está disponível em versão gravada, editada e organizada pela Academia de Segurança Contra Incêndio.

17 módulos • Apostila • Planilha de cálculo • Exercício completo • Introdução ao CONTAM • Certificado ASCI

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