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ToggleO que é Compartimentação Horizontal e Vertical?

Compartimentação horizontal e vertical é o conjunto de medidas construtivas destinadas a limitar a propagação do incêndio e da fumaça dentro de uma edificação ou área de risco.
No Estado de São Paulo, a referência principal para esse tema é a IT 09/2025 – Compartimentação horizontal e compartimentação vertical, que estabelece parâmetros de emprego e dimensionamento da compartimentação nas edificações e áreas de risco.
A lógica da compartimentação é simples na ideia, mas técnica na execução: dividir a edificação em partes capazes de resistir ao fogo por determinado período, impedindo que o incêndio se espalhe livremente para outros ambientes, pavimentos ou edificações próximas.
Em uma edificação sem compartimentação adequada, o fogo e a fumaça podem avançar rapidamente por corredores, aberturas, shafts, fachadas, escadas, entrepisos, forros, dutos e passagens de instalações. A compartimentação busca justamente controlar esses caminhos de propagação.
Para que serve a compartimentação?
A compartimentação serve para restringir o desenvolvimento do incêndio a uma área definida, reduzindo a propagação para outros ambientes ou pavimentos.
Entre seus objetivos práticos estão:
- limitar a propagação do fogo no mesmo pavimento;
- limitar a propagação do fogo entre pavimentos;
- reduzir a movimentação de fumaça e gases quentes;
- proteger rotas de fuga e áreas adjacentes;
- preservar setores ainda não atingidos pelo incêndio;
- facilitar a atuação da brigada e do Corpo de Bombeiros;
- reduzir danos materiais e operacionais;
- permitir que a edificação tenha setores com maior controle de risco;
- complementar outras medidas de segurança, como sprinklers, controle de fumaça, saídas de emergência e segurança estrutural.
A compartimentação é uma medida de proteção passiva. Isso significa que ela não depende, em regra, de acionamento manual ou automático para começar a cumprir sua função. Ela está incorporada à própria construção da edificação.
Compartimentação horizontal e vertical são a mesma coisa?
Não. As duas medidas têm a mesma finalidade geral, que é limitar a propagação do incêndio, mas atuam em direções diferentes.
A compartimentação horizontal limita a propagação do fogo e da fumaça dentro do mesmo pavimento, separando ambientes, setores ou áreas de risco por elementos resistentes ao fogo.
A compartimentação vertical limita a propagação do fogo e da fumaça entre pavimentos, impedindo que o incêndio suba ou desça pela edificação por meio de fachadas, aberturas, shafts, escadas, entrepisos, dutos ou passagens de instalações.
Em termos simples:
- compartimentação horizontal: controla a propagação no mesmo piso;
- compartimentação vertical: controla a propagação entre pisos.
Essa diferença é essencial para interpretar corretamente a IT 09/2025 e para compatibilizar o projeto de arquitetura, estrutura, instalações e segurança contra incêndio.
O que é compartimentação horizontal?
Compartimentação horizontal é a separação entre ambientes ou áreas no mesmo pavimento por meio de elementos construtivos resistentes ao fogo.
Ela pode envolver paredes corta-fogo, portas corta-fogo, vedadores, selagens, registros corta-fogo, dispositivos automatizados de fechamento e outros elementos capazes de manter a separação entre compartimentos por determinado tempo.
Na prática, a compartimentação horizontal impede que o incêndio se propague lateralmente com facilidade. Isso é especialmente relevante em edificações extensas, galpões, indústrias, áreas comerciais, hospitais, escolas, depósitos e locais com grande área de piso.
Um exemplo simples: se uma edificação possui uma área ampla dividida por parede de compartimentação resistente ao fogo, o incêndio iniciado em um setor pode ser contido naquele compartimento por determinado período, desde que as aberturas estejam protegidas e as passagens de instalações estejam corretamente seladas.
O que é compartimentação vertical?
Compartimentação vertical é a separação destinada a impedir a propagação do incêndio entre pavimentos.
Ela envolve elementos como entrepisos corta-fogo, enclausuramento de escadas, selagem de shafts, proteção de aberturas verticais, elementos de fachada, abas, vergas, peitoris, afastamentos e demais soluções previstas em norma.
A compartimentação vertical é especialmente importante porque o fogo tende a se propagar para cima com grande facilidade, impulsionado por calor, fumaça, gases quentes, efeito chaminé, fachadas, aberturas e passagens técnicas.
Em edifícios de múltiplos pavimentos, falhas na compartimentação vertical podem permitir que o incêndio se desloque rapidamente de um pavimento para outro, mesmo quando o foco inicial está localizado em uma área aparentemente isolada.
O que é parede corta-fogo?
Parede corta-fogo é um elemento construtivo com resistência ao fogo, projetado para separar ambientes ou edificações e impedir a propagação do incêndio por determinado período.
Em muitos casos, a parede corta-fogo é associada à compartimentação horizontal, porque separa áreas no mesmo pavimento. Mas ela também pode participar de estratégias de isolamento de risco e proteção entre setores ou edificações, conforme o caso.
Uma parede corta-fogo não deve ser analisada apenas pela sua aparência ou espessura. Sua eficácia depende de vários fatores, como:
- resistência ao fogo do sistema construtivo;
- continuidade da parede;
- encontro com lajes, coberturas e fachadas;
- proteção das aberturas;
- selagem das passagens de instalações;
- compatibilidade com portas, vedadores e registros;
- execução conforme projeto e especificação técnica.
Uma parede resistente ao fogo pode perder sua função se for atravessada por cabos, tubulações, dutos ou aberturas sem selagem adequada.
O que é porta corta-fogo na compartimentação?
Porta corta-fogo é um elemento de fechamento usado para proteger aberturas em paredes ou acessos que precisam manter resistência ao fogo.
Em uma compartimentação, não basta que a parede seja resistente ao fogo. As aberturas também precisam ser protegidas. Se uma parede de compartimentação possui uma porta comum, a propagação do incêndio pode ocorrer pelo ponto mais frágil.
Por isso, portas corta-fogo devem ser especificadas, instaladas e mantidas conforme a resistência exigida e a função do ambiente. Também é essencial observar fechamento adequado, integridade, vedação e compatibilidade com o uso cotidiano da edificação.
O que é selagem corta-fogo?
Selagem corta-fogo é a proteção aplicada em passagens de instalações, juntas, aberturas ou frestas que atravessam elementos de compartimentação.
Ela é necessária porque paredes, lajes e entrepisos muitas vezes são atravessados por:
- cabos elétricos;
- eletrocalhas;
- tubulações hidráulicas;
- tubulações de gás;
- dutos de ar-condicionado;
- shafts;
- prumadas;
- juntas construtivas;
- passagens de telecomunicação;
- elementos de infraestrutura predial.
Quando essas passagens não são tratadas, o fogo e a fumaça podem atravessar o elemento de compartimentação, anulando sua função. A selagem corta-fogo é, portanto, uma das partes mais críticas da compartimentação em edificações reais.
Quando a compartimentação é exigida?
A exigência de compartimentação depende do Regulamento de Segurança contra Incêndio, da ocupação, da área, da altura, do risco, da carga de incêndio, da configuração da edificação e das Instruções Técnicas aplicáveis.
A IT 09/2025 se aplica às edificações onde são exigidas a compartimentação horizontal e/ou a compartimentação vertical.
Portanto, a análise não deve começar pela pergunta “precisa ou não precisa de parede corta-fogo?”. A pergunta correta é: quais medidas de segurança são exigidas para esta edificação, com esta ocupação, esta área, esta altura e este risco?
A partir dessa leitura, o projetista verifica se há necessidade de compartimentação horizontal, compartimentação vertical, isolamento de risco, controle de fumaça, sprinklers, segurança estrutural ou outras medidas relacionadas.
Como saber a área máxima de compartimentação?
A área máxima de compartimentação é definida conforme os critérios da IT 09/2025 e seus anexos.
A norma apresenta tabela de área máxima de compartimentação, que deve ser interpretada considerando a ocupação, as características da edificação e as medidas de segurança exigidas.
Esse ponto é importante porque a compartimentação não é apenas uma solução construtiva. Ela também é um critério de limitação de área. Em determinadas ocupações, uma área muito grande pode precisar ser dividida em compartimentos para atender aos limites normativos.
A interpretação da área máxima deve ser feita pelo responsável técnico, em conjunto com o projeto arquitetônico e os demais sistemas de segurança contra incêndio.
Compartimentação substitui sprinkler?
Não de forma automática. Compartimentação e sprinklers são medidas diferentes e podem ser exigidas em conjunto, dependendo do caso.
A compartimentação é uma medida de proteção passiva, incorporada à construção. O sistema de sprinklers é uma medida de proteção ativa, projetada para atuar automaticamente sobre o incêndio.
Em algumas situações, a presença de chuveiros automáticos pode influenciar critérios de área, risco ou exigência, conforme a legislação e a norma aplicável. Mas não se deve afirmar, de forma genérica, que uma medida substitui a outra.
A análise deve ser feita a partir do enquadramento da edificação e das Instruções Técnicas aplicáveis.
Compartimentação substitui controle de fumaça?
Não. Compartimentação e controle de fumaça também são medidas distintas.
A compartimentação busca limitar a propagação do fogo e da fumaça por meio de separações resistentes ao fogo. O controle de fumaça, por sua vez, envolve estratégias para limitar, direcionar ou extrair fumaça e gases quentes, conforme o sistema adotado.
Em edificações complexas, as duas medidas podem atuar de forma complementar. A compartimentação pode restringir a movimentação da fumaça entre setores, enquanto o controle de fumaça pode auxiliar na manutenção de condições mais favoráveis para abandono e atuação das equipes de emergência.
Quais elementos fazem parte da compartimentação horizontal?
A compartimentação horizontal pode envolver diferentes elementos construtivos e dispositivos de fechamento, conforme o projeto e a exigência normativa.
Entre os elementos comuns estão:
- paredes corta-fogo;
- portas corta-fogo;
- vedadores corta-fogo;
- registros corta-fogo;
- selagens corta-fogo;
- dispositivos automatizados de enrolar corta-fogo;
- proteção de aberturas;
- juntas tratadas;
- elementos de fechamento com resistência ao fogo;
- separações entre setores, ambientes ou áreas de risco.
O ponto central é a continuidade da barreira. A compartimentação horizontal precisa funcionar como um conjunto, e não como elementos isolados.
Quais elementos fazem parte da compartimentação vertical?
A compartimentação vertical pode envolver soluções destinadas a impedir a propagação do fogo entre pavimentos.
Entre os elementos e situações que costumam ser analisados estão:
- entrepisos corta-fogo;
- lajes com resistência ao fogo;
- enclausuramento de escadas;
- shafts e prumadas;
- dutos verticais;
- passagens de instalações entre pavimentos;
- aberturas em fachadas;
- distância vertical entre vãos;
- abas, peitoris, vergas ou elementos de fachada;
- selagens em lajes e shafts;
- proteção de átrios e vazios internos.
A compartimentação vertical exige atenção especial porque muitos caminhos de propagação não são evidentes em uma leitura superficial da planta. Eles aparecem na compatibilização entre arquitetura, estrutura, instalações, fachada e sistemas de segurança.
O que mudou na IT 09/2025?
A IT 09/2025 substituiu a IT 09/2019 e entrou em vigor em 20 de março de 2025, no conjunto das Instruções Técnicas publicadas pela Portaria nº CCB-003/800/25.
O objetivo central foi mantido: estabelecer parâmetros para emprego e dimensionamento da compartimentação horizontal e vertical, impedindo a propagação do incêndio para outros ambientes.
Na leitura técnica, a versão de 2025 organiza o conteúdo com maior detalhamento sobre temas como fachadas, transposições, átrios, selagens, resistência ao fogo e dispositivos automatizados de enrolar corta-fogo.
Por isso, quem já trabalhava com a IT 09/2019 deve revisar a versão atual, especialmente nos pontos que envolvem detalhes construtivos, continuidade das barreiras e tratamento de aberturas.
Relação entre compartimentação e segurança estrutural
Compartimentação e segurança estrutural contra incêndio são temas relacionados, mas não equivalentes.
A segurança estrutural trata da capacidade dos elementos estruturais resistirem ao fogo por determinado tempo, considerando requisitos como TRRF e desempenho dos sistemas construtivos.
A compartimentação trata da separação entre ambientes, setores e pavimentos, buscando impedir a propagação do fogo e da fumaça.
Na prática, as duas medidas precisam ser compatibilizadas. Uma parede ou laje usada como elemento de compartimentação deve atender à função de separação exigida e manter integridade compatível com o tempo de resistência requerido.
Relação entre compartimentação e arquitetura
A compartimentação precisa ser pensada desde o projeto arquitetônico. Quando ela é tratada apenas no final do processo, pode gerar incompatibilidades, retrabalho e soluções improvisadas.
Alguns pontos que exigem atenção são:
- posição de paredes de compartimentação;
- acessos entre setores;
- localização de portas corta-fogo;
- continuidade até lajes e coberturas;
- interferência com forros;
- shafts e passagens técnicas;
- fachadas com panos de vidro;
- átrios e vazios internos;
- rotas de fuga;
- compatibilização com sistemas prediais.
Uma decisão arquitetônica aparentemente simples, como abrir um vão em uma parede ou criar um shaft contínuo, pode comprometer a lógica de compartimentação se não houver solução técnica adequada.
Relação entre compartimentação e manutenção
A compartimentação não termina na aprovação do projeto. Ela precisa ser mantida ao longo da vida útil da edificação.
Reformas, novas instalações, passagem de cabos, substituição de portas, abertura de vãos, mudança de layout e intervenções prediais podem comprometer a compartimentação original.
Por isso, edificações com compartimentação devem controlar alterações que afetem:
- paredes resistentes ao fogo;
- portas corta-fogo;
- selagens;
- shafts;
- entrepisos;
- passagens de instalações;
- dispositivos de fechamento;
- fachadas;
- rotas de fuga protegidas.
Um sistema de compartimentação pode estar correto no projeto e deixar de funcionar na prática se for perfurado, removido, obstruído ou descaracterizado durante o uso da edificação.
Erros comuns em projetos de compartimentação
Alguns problemas são recorrentes em projetos e vistorias. Entre eles:
- considerar apenas a parede e esquecer as aberturas;
- não tratar passagens de instalações;
- usar porta comum em parede que deveria manter resistência ao fogo;
- interromper parede de compartimentação no forro;
- não compatibilizar compartimentação com dutos e shafts;
- ignorar propagação vertical pela fachada;
- tratar átrios e vazios internos sem análise específica;
- não conferir a área máxima de compartimentação;
- confundir compartimentação com isolamento de risco;
- não indicar detalhes construtivos em planta;
- não prever manutenção das selagens e dispositivos de fechamento.
A compartimentação depende de continuidade. O ponto fraco do sistema pode comprometer todo o desempenho esperado.
Perguntas frequentes
O que é compartimentação contra incêndio?
É o conjunto de medidas construtivas que limita a propagação do fogo e da fumaça dentro de uma edificação ou área de risco.
O que é compartimentação horizontal?
É a separação entre ambientes, setores ou áreas no mesmo pavimento, por meio de elementos resistentes ao fogo, como paredes, portas, vedadores e selagens.
O que é compartimentação vertical?
É a separação destinada a impedir a propagação do incêndio entre pavimentos, por meio de entrepisos, lajes, fachadas, shafts, escadas protegidas, selagens e outros elementos.
Qual é a norma de compartimentação em São Paulo?
No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 09/2025 – Compartimentação horizontal e compartimentação vertical.
Parede corta-fogo é a mesma coisa que compartimentação?
Não exatamente. A parede corta-fogo pode ser um dos elementos da compartimentação, mas o sistema também envolve portas, selagens, lajes, entrepisos, fachadas, shafts e proteção de aberturas.
Compartimentação substitui sprinkler?
Não de forma automática. Compartimentação e sprinklers são medidas distintas. A aplicação depende do regulamento e das Instruções Técnicas aplicáveis.
Compartimentação substitui porta corta-fogo?
Não. Em muitos casos, a porta corta-fogo é justamente um componente necessário para proteger aberturas em uma parede ou rota que integra a compartimentação.
O que é selagem corta-fogo?
É a proteção aplicada em passagens de instalações, juntas e aberturas para impedir que fogo e fumaça atravessem paredes, lajes ou outros elementos de compartimentação.
O que é área máxima de compartimentação?
É o limite de área permitido para determinado compartimento, conforme critérios da IT 09/2025 e seus anexos.
A compartimentação precisa aparecer no projeto?
Sim. Quando exigida, a compartimentação deve ser representada e detalhada no projeto, com indicação dos elementos, aberturas protegidas, resistência ao fogo e demais informações necessárias para análise e execução.
Conclusão
A compartimentação horizontal e vertical é uma das medidas mais importantes de proteção passiva contra incêndio. Sua função é limitar a propagação do fogo e da fumaça, preservando setores da edificação, protegendo rotas de fuga e contribuindo para a atuação das equipes de emergência.
A compartimentação horizontal controla a propagação no mesmo pavimento. A compartimentação vertical controla a propagação entre pavimentos. Ambas dependem de continuidade, resistência ao fogo, proteção de aberturas e tratamento adequado de passagens de instalações.
No Estado de São Paulo, a IT 09/2025 é a principal referência para o tema. Ela deve ser analisada em conjunto com o Regulamento de Segurança contra Incêndio e com outras Instruções Técnicas aplicáveis, como as relacionadas à segurança estrutural, saídas de emergência, controle de fumaça, isolamento de risco, sprinklers e procedimentos administrativos.
Mais do que uma exigência de projeto, a compartimentação é uma estratégia de controle do incêndio. Quando bem projetada, executada e mantida, ela reduz a propagação do fogo e melhora a segurança da edificação.
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