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ToggleO que é Controle de Fumaça?

Controle de fumaça é o conjunto de medidas arquitetônicas, construtivas, naturais, mecânicas e operacionais destinadas a limitar, direcionar ou remover a fumaça e os gases quentes gerados por um incêndio.
No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 15/2025 – Controle de fumaça, que estabelece critérios para projeto, dimensionamento, instalação, verificação e aplicação de sistemas de controle de fumaça em edificações e áreas de risco.
A fumaça é um dos fatores mais críticos em um incêndio. Ela reduz a visibilidade, dificulta o abandono, compromete a respiração, transporta gases tóxicos, aumenta a temperatura do ambiente e pode inviabilizar a atuação da brigada e do Corpo de Bombeiros.
Por isso, o controle de fumaça não deve ser visto apenas como ventilação. Ele é uma medida de segurança contra incêndio voltada à preservação de condições mínimas de visibilidade, temperatura e tenabilidade em determinadas áreas, rotas ou volumes da edificação.
Para que serve o controle de fumaça?
O controle de fumaça serve para reduzir os impactos da fumaça e dos gases quentes durante um incêndio.
Entre seus objetivos práticos estão:
- limitar a propagação da fumaça para áreas não atingidas;
- promover extração natural ou mecânica da fumaça;
- controlar a entrada de ar no sistema;
- manter camada de fumaça em altura mais favorável;
- proteger rotas de fuga horizontais;
- melhorar as condições de abandono dos ocupantes;
- apoiar a atuação da brigada e das equipes de emergência;
- reduzir a perda de visibilidade;
- auxiliar no controle térmico de determinados ambientes;
- reduzir a migração de fumaça para áreas adjacentes;
- complementar medidas como compartimentação, sprinklers, detecção, alarme e pressurização de escadas.
A função do controle de fumaça varia conforme a edificação. Em alguns casos, o foco está em grandes volumes, como átrios e centros comerciais. Em outros, em rotas horizontais, subsolos, áreas sem janelas, depósitos ou edificações industriais.
Qual norma trata do controle de fumaça?
No Estado de São Paulo, a principal referência é a IT 15/2025 – Controle de fumaça.
A IT 15/2025 entrou em vigor em 20 de março de 2025, conforme a Portaria nº CCB-003/800/25, e substituiu a IT 15/2019.
Diferentemente de outras Instruções Técnicas mais compactas, a IT 15/2025 é organizada em 9 partes, cada uma voltada a um aspecto específico do controle de fumaça.
Essa divisão é importante porque o tema envolve diferentes sistemas, ambientes, métodos de extração, rotas, átrios, subsolos e aspectos de segurança.
Como a IT 15/2025 está organizada?
A IT 15/2025 é composta por nove partes:
| Parte | Tema |
|---|---|
| Parte 1 | Regras gerais |
| Parte 2 | Conceitos, definições e componentes do sistema |
| Parte 3 | Controle de fumaça natural em edificações comerciais, industriais e depósitos |
| Parte 4 | Controle de fumaça natural nas demais ocupações |
| Parte 5 | Controle de fumaça mecânico |
| Parte 6 | Controle de fumaça em rotas de fuga horizontais protegidas e subsolos |
| Parte 7 | Átrios |
| Parte 8 | Aspectos de segurança |
| Parte 9 | Situações específicas em subsolos e edificações sem janelas |
Essa estrutura torna a IT 15 uma das normas mais extensas e complexas do conjunto de Instruções Técnicas de São Paulo.
Para o profissional de projeto, isso significa que não basta consultar apenas a Parte 1. É necessário identificar qual parte da IT se aplica ao ambiente ou sistema analisado.
Controle de fumaça é o mesmo que exaustão?
Não exatamente.
A exaustão de fumaça é uma das formas de controle de fumaça. Ela pode ocorrer por meios naturais ou mecânicos, retirando fumaça e gases quentes de determinada área.
O controle de fumaça, porém, é mais amplo. Ele pode envolver:
- extração de fumaça;
- entrada de ar;
- acantonamento;
- barreiras de fumaça;
- aberturas naturais;
- ventiladores;
- dutos;
- venezianas;
- dampers;
- acionamentos;
- setorização;
- compatibilização com compartimentação;
- integração com detecção e alarme;
- pressurização de escadas e rotas verticais, quando aplicável por IT específica;
- análise de falhas e aspectos de segurança.
Portanto, toda exaustão de fumaça pode fazer parte de um sistema de controle de fumaça, mas nem todo controle de fumaça se resume à exaustão.
Controle de fumaça é o mesmo que ventilação?
Não.
Ventilação comum tem finalidade de conforto, renovação de ar ou controle ambiental. Controle de fumaça tem finalidade de segurança contra incêndio.
Um sistema de ar-condicionado, ventilação mecânica ou exaustão comum não deve ser considerado automaticamente como sistema de controle de fumaça.
Para cumprir essa função, o sistema precisa ser projetado conforme critérios específicos de incêndio, considerando temperatura, fumaça, acionamento, energia, materiais, falhas, integração com sistemas de segurança e desempenho esperado em emergência.
A confusão entre ventilação comum e controle de fumaça é um erro técnico frequente.
Quais são os principais tipos de controle de fumaça?
De forma geral, os sistemas podem ser classificados em:
- controle de fumaça natural;
- controle de fumaça mecânico;
- controle de fumaça em rotas de fuga horizontais;
- controle de fumaça em subsolos;
- controle de fumaça em átrios;
- soluções específicas para edificações sem janelas.
Essas categorias não são necessariamente excludentes. Uma edificação pode combinar diferentes estratégias conforme a ocupação, o volume, a altura, a geometria, a compartimentação, o risco e as exigências normativas.
O que é controle de fumaça natural?
Controle de fumaça natural é aquele que utiliza o comportamento natural da fumaça e dos gases quentes para promover sua extração por aberturas, venezianas, lanternins, claraboias, sheds, janelas, venezianas automáticas ou outros dispositivos de abertura.
A lógica é aproveitar a tendência da fumaça quente de subir e se acumular nas partes superiores do ambiente. Com aberturas adequadas para extração e entrada de ar, a fumaça pode ser direcionada e removida sem o uso principal de ventiladores.
A IT 15/2025 trata do controle de fumaça natural em partes específicas:
- Parte 3: edificações comerciais, industriais e depósitos;
- Parte 4: demais ocupações.
O projeto deve considerar área de extração, entrada de ar, geometria do ambiente, altura, barreiras de fumaça, acantonamento, carga de incêndio, ocupação e funcionamento das aberturas.
O que é controle de fumaça mecânico?
Controle de fumaça mecânico é aquele que utiliza ventiladores, exaustores, dutos, dampers, venezianas motorizadas, painéis de comando e sistemas de alimentação para remover fumaça e gases quentes do ambiente.
Esse tipo de sistema é tratado na Parte 5 da IT 15/2025.
Ele pode ser necessário quando a ventilação natural não é suficiente, quando a geometria da edificação não favorece extração natural, em subsolos, em áreas sem aberturas adequadas ou em sistemas que exigem controle mais preciso.
O controle mecânico depende de cálculo, seleção de equipamentos, resistência a temperatura, alimentação elétrica, acionamento, automação, manutenção e testes de desempenho.
Controle de fumaça natural ou mecânico: qual usar?
A escolha depende das características da edificação e das exigências normativas.
O controle natural pode ser adequado quando a edificação possui condições físicas para extração por aberturas e entrada de ar, respeitando os critérios da IT 15.
O controle mecânico pode ser necessário quando:
- não há aberturas naturais suficientes;
- o ambiente é subterrâneo;
- o volume é complexo;
- há necessidade de extração forçada;
- a geometria dificulta a exaustão natural;
- as rotas precisam de proteção específica;
- a norma exige solução mecânica;
- a estratégia de segurança demanda vazões controladas.
A escolha não deve ser feita apenas por custo ou simplicidade. Ela deve nascer do enquadramento técnico e do desempenho exigido.
O que é extração de fumaça?
Extração de fumaça é a retirada da fumaça e dos gases quentes de uma área protegida.
Ela pode ser natural, por aberturas, ou mecânica, por ventiladores e dutos.
A extração precisa ser compatibilizada com a entrada de ar. Se o sistema extrai fumaça sem entrada de ar suficiente, pode perder eficiência, criar turbulência, alterar a camada de fumaça ou comprometer o desempenho esperado.
Por isso, controle de fumaça não é apenas “colocar exaustores”. É necessário equilibrar extração, insuflação ou admissão de ar, geometria do ambiente e comportamento da fumaça.
O que é entrada de ar?
Entrada de ar é o suprimento de ar limpo ou menos contaminado necessário para permitir o funcionamento adequado do sistema de controle de fumaça.
A entrada de ar pode ocorrer por aberturas naturais, venezianas, portas, dispositivos de admissão, dutos ou insuflação mecânica, conforme o projeto.
Sem entrada de ar adequada, a extração de fumaça pode ser ineficiente. Além disso, a entrada mal posicionada pode causar turbulência, prejudicar a camada de fumaça ou espalhar fumaça para áreas indesejadas.
A relação entre extração e entrada de ar é uma das bases do projeto.
O que é acantonamento de fumaça?
Acantonamento de fumaça é a divisão ou limitação de um volume de fumaça por meio de barreiras, elementos construtivos ou estratégias de contenção, para impedir que a fumaça se espalhe livremente por toda a edificação.
Em grandes ambientes, como galpões, malls, átrios ou áreas industriais, o acantonamento pode limitar a área de acumulação da fumaça e organizar a extração.
A lógica é criar uma área controlada de fumaça, permitindo que o sistema atue sobre um volume definido, em vez de tentar controlar todo o ambiente ao mesmo tempo.
O que é camada de fumaça?
Camada de fumaça é a região superior do ambiente onde se acumulam fumaça e gases quentes durante um incêndio.
Abaixo dela, pode existir uma camada de ar menos contaminada, que permite melhores condições de visibilidade e deslocamento por determinado período.
Muitos sistemas de controle de fumaça buscam preservar uma altura livre de fumaça suficiente para permitir abandono e atuação inicial.
A altura da camada, a temperatura, a densidade, a produção de fumaça, a vazão de extração e a geometria do ambiente são fatores relevantes no dimensionamento.
O que são barreiras de fumaça?
Barreiras de fumaça são elementos usados para limitar o deslocamento lateral da fumaça em grandes ambientes.
Elas podem ser fixas ou móveis, conforme o projeto e a norma aplicável.
A função das barreiras é ajudar a formar acantonamentos, reduzir a propagação da fumaça e direcionar a fumaça para pontos de extração.
As barreiras de fumaça precisam ser compatíveis com a altura, temperatura, sistema de acionamento, rotas de fuga, arquitetura e manutenção.
O que são ventiladores de extração de fumaça?
Ventiladores de extração de fumaça são equipamentos mecânicos projetados para remover fumaça e gases quentes durante um incêndio.
Eles precisam ser selecionados para condições de operação diferentes das de ventilação comum. Dependendo da aplicação, podem precisar suportar temperatura elevada por determinado tempo, operar com alimentação de emergência, resistir a condições severas e integrar-se a comandos automáticos.
A escolha do ventilador deve considerar vazão, pressão, temperatura, classe de resistência, alimentação elétrica, local de instalação, manutenção e ensaios.
O que são dutos de extração de fumaça?
Dutos de extração de fumaça conduzem fumaça e gases quentes do ambiente protegido até o exterior ou até pontos de descarga previstos no projeto.
Esses dutos podem precisar atender a requisitos específicos de resistência ao fogo, estanqueidade, suporte, isolamento, acesso para manutenção e compatibilização com a edificação.
Duto de ar-condicionado comum não deve ser automaticamente considerado duto de controle de fumaça.
A função de incêndio exige análise própria.
O que são dampers e venezianas de fumaça?
Dampers e venezianas são dispositivos usados para controlar abertura, fechamento, passagem ou direcionamento de ar e fumaça.
Eles podem ser usados em sistemas naturais ou mecânicos, em aberturas de extração, entrada de ar, dutos ou compartimentos.
Em sistemas de controle de fumaça, esses componentes precisam funcionar em condição de emergência. Por isso, devem ser especificados conforme a função, temperatura, acionamento, falha segura, manutenção e integração com o sistema de alarme ou detecção.
Quando o controle de fumaça é exigido?
A exigência de controle de fumaça depende do Regulamento de Segurança contra Incêndio, da ocupação, da área, da altura, da configuração da edificação, do número de pavimentos, da presença de subsolos, átrios, grandes volumes, rotas horizontais protegidas e demais condições previstas nas Instruções Técnicas.
A IT 15/2025 deve ser aplicada quando o controle de fumaça for exigido para a edificação ou área de risco.
Entre os casos que podem demandar análise estão:
- edificações comerciais;
- edificações industriais;
- depósitos;
- subsolos;
- edificações sem janelas;
- átrios;
- malls;
- grandes volumes;
- rotas de fuga horizontais protegidas;
- locais de reunião de público;
- edificações com áreas extensas;
- áreas com alta concentração de pessoas;
- ambientes com dificuldade de extração natural.
A resposta correta não deve ser genérica. É preciso verificar o enquadramento da edificação e a parte da IT 15 aplicável ao caso.
Controle de fumaça em edificações comerciais, industriais e depósitos
A Parte 3 da IT 15/2025 trata do controle de fumaça natural em edificações comerciais, industriais e depósitos.
Esses ambientes podem ter grandes áreas, volumes internos, estoques, cargas de incêndio elevadas, pé-direito alto, operações industriais, mezaninos, docas e compartimentações específicas.
A extração natural pode ser uma solução, desde que o ambiente apresente condições para aberturas de extração e entrada de ar adequadas.
Depósitos exigem atenção especial porque a altura de armazenagem, o tipo de mercadoria, os corredores, a presença de sprinklers, a carga de incêndio e a geometria interna podem alterar o comportamento da fumaça.
Controle de fumaça nas demais ocupações
A Parte 4 da IT 15/2025 trata do controle de fumaça natural nas demais ocupações.
Aqui entram situações que não se enquadram especificamente na Parte 3, mas que ainda podem demandar solução natural de controle de fumaça.
A aplicação depende do tipo de ocupação, do arranjo da edificação, da área, do volume, da altura, da ventilação, das rotas e dos critérios normativos.
A leitura dessa parte é importante para evitar aplicar regras de edificações industriais ou depósitos em ocupações que exigem critérios diferentes.
Controle de fumaça mecânico
A Parte 5 da IT 15/2025 trata do controle de fumaça mecânico.
Esse sistema pode envolver extração mecânica, insuflação, dutos, ventiladores, dampers, comandos, alimentação elétrica e integração com alarme e detecção.
O controle mecânico exige maior atenção a falhas, manutenção, acionamento e desempenho, porque depende do funcionamento de equipamentos durante a emergência.
Uma falha elétrica, falha de comando, ventilador inadequado ou duto mal especificado pode comprometer o sistema.
Controle de fumaça em rotas de fuga horizontais
A Parte 6 da IT 15/2025 trata do controle de fumaça em rotas de fuga horizontais protegidas e subsolos.
Rotas horizontais protegidas são caminhos de abandono que podem precisar permanecer em condições mais favoráveis durante uma emergência.
O controle de fumaça nesses locais busca reduzir a entrada ou acúmulo de fumaça nas rotas, favorecendo deslocamento seguro até escadas, saídas ou áreas protegidas.
Esse tema deve ser compatibilizado com a IT 11, que trata de saídas de emergência, e com a IT 20 e IT 18, relacionadas à sinalização e iluminação.
Controle de fumaça em subsolos
Subsolos são ambientes críticos porque normalmente têm menor ventilação natural, acesso mais difícil, maior complexidade de extração, circulação de veículos em alguns casos e maior dificuldade de abandono.
A IT 15/2025 trata subsolos em mais de uma parte, especialmente na Parte 6 e na Parte 9, que aborda situações específicas em subsolos e edificações sem janelas.
Em subsolos, a fumaça pode se acumular rapidamente e tornar rotas inutilizáveis. Por isso, o sistema deve ser projetado com cuidado, considerando extração, entrada de ar, rotas, escadas, pressurização, detecção, alarme e alimentação de emergência.
Controle de fumaça em átrios
A Parte 7 da IT 15/2025 trata do controle de fumaça em átrios.
Átrios são espaços verticais ou grandes vazios internos que podem permitir rápida movimentação de fumaça entre pavimentos.
Um átrio mal tratado pode transformar a fumaça de um pavimento em problema para vários andares da edificação.
O controle de fumaça em átrios pode envolver acantonamento, extração natural ou mecânica, entrada de ar, análise de altura da camada de fumaça, interação com pavimentos adjacentes, barreiras de fumaça e simulações ou verificações específicas.
Controle de fumaça em edificações sem janelas
Edificações sem janelas ou com pouca abertura natural exigem atenção especial porque a fumaça tem menos caminhos naturais de dissipação.
A Parte 9 da IT 15/2025 aborda situações específicas em subsolos e edificações sem janelas.
Nessas condições, é comum que a solução dependa de controle mecânico, entrada de ar planejada, extração forçada, acionamento confiável e integração com sistemas de segurança.
A ausência de janelas não é apenas questão de conforto ambiental. Em incêndio, ela altera o comportamento da fumaça e a estratégia de abandono.
Controle de fumaça e pressurização de escadas
Pressurização de escadas é uma estratégia relacionada ao controle de fumaça em rotas verticais de fuga, mas é tratada de forma específica pela IT 13/2025 – Pressurização de escada de segurança.
A IT 15/2025 dialoga com esse tema, mas escadas e rotas verticais devem ser analisadas junto às ITs específicas, especialmente IT 11 e IT 13.
A pressurização busca manter a escada com pressão positiva para dificultar a entrada de fumaça. Já o controle de fumaça da IT 15 trata de extração, acantonamento e estratégias para ambientes, rotas horizontais, subsolos e átrios.
Controle de fumaça e saída de emergência
Controle de fumaça e saídas de emergência são medidas complementares.
A saída de emergência define o caminho físico de abandono. O controle de fumaça busca manter condições mais favoráveis de visibilidade e deslocamento em áreas relevantes.
Em uma emergência, a rota pode existir e estar dimensionada, mas se a fumaça invadir o caminho rapidamente, o abandono pode ser comprometido.
Por isso, a análise deve integrar IT 15 e IT 11 quando houver exigência de controle de fumaça em rotas ou áreas associadas ao abandono.
Controle de fumaça e sinalização
A sinalização de emergência depende de visibilidade para ser percebida.
Se a fumaça se acumula em altura baixa ou se espalha por corredores, as placas, setas e indicações de saída podem deixar de ser visíveis.
O controle de fumaça não substitui a sinalização, mas pode contribuir para que a sinalização permaneça utilizável por mais tempo em determinados ambientes.
A compatibilização com a IT 20 é importante em rotas de fuga, grandes ambientes e áreas de público.
Controle de fumaça e iluminação de emergência
A iluminação de emergência também pode ser prejudicada pela fumaça.
Mesmo com luminárias funcionando, a presença de fumaça densa reduz a visibilidade e a capacidade de orientação.
Por isso, em áreas onde o controle de fumaça é exigido, deve haver compatibilização com iluminação de emergência, sinalização, saídas e alarme.
A iluminação permite enxergar. O controle de fumaça ajuda a manter condições mínimas para que a luz e a sinalização sejam percebidas.
Controle de fumaça e detecção de incêndio
Sistemas de controle de fumaça podem depender de acionamento automático por detecção ou alarme de incêndio.
A integração com o SDAI, tratado pela IT 19/2025, pode ser necessária para:
- acionar ventiladores;
- abrir venezianas;
- comandar dampers;
- liberar portas ou dispositivos;
- ativar modos de emergência;
- enviar sinais de supervisão;
- acionar painéis ou comandos manuais.
Essa integração precisa ser projetada, testada e mantida. Um sistema de controle de fumaça que depende de acionamento, mas não recebe sinal corretamente, pode não operar quando necessário.
Controle de fumaça e sprinklers
Sprinklers e controle de fumaça podem interagir no comportamento do incêndio.
O sistema de sprinklers atua sobre o fogo, limitando desenvolvimento, temperatura e liberação de calor. O controle de fumaça atua sobre a fumaça e gases quentes.
Em alguns projetos, a presença de sprinklers pode influenciar hipóteses de projeto, cenários de incêndio, taxa de liberação de calor e necessidade de controle de fumaça, conforme critérios normativos.
Essa interação deve ser tratada tecnicamente. Não se deve presumir que sprinklers eliminam a necessidade de controle de fumaça, nem que controle de fumaça substitui sprinklers.
Controle de fumaça e compartimentação
A compartimentação ajuda a limitar a propagação do fogo e da fumaça entre ambientes, pavimentos ou setores.
O controle de fumaça pode depender da compartimentação para delimitar áreas, formar acantonamentos e impedir que a fumaça se espalhe para regiões não previstas no projeto.
Uma compartimentação mal executada pode comprometer a estratégia de controle de fumaça. Passagens não seladas, portas abertas, shafts sem proteção e barreiras incompletas podem permitir migração de fumaça.
Por isso, IT 09 e IT 15 devem ser compatibilizadas em projetos complexos.
Controle de fumaça e ar-condicionado
Sistemas de ar-condicionado e ventilação comum podem interferir no movimento da fumaça.
Durante um incêndio, equipamentos de climatização podem espalhar fumaça para outros ambientes se não forem controlados, desligados, setorizados ou integrados corretamente ao sistema de emergência.
Em edificações com controle de fumaça, é necessário avaliar:
- desligamento de equipamentos comuns;
- atuação de dampers;
- estanqueidade de dutos;
- pressões entre ambientes;
- retorno de ar;
- integração com automação;
- lógica de emergência;
- risco de recirculação de fumaça.
Ar-condicionado não é controle de fumaça, mas pode afetar diretamente seu desempenho.
O que deve constar no projeto de controle de fumaça?
Um projeto de controle de fumaça deve apresentar informações suficientes para análise, execução, verificação, manutenção e vistoria.
Entre os elementos recomendáveis estão:
- identificação das áreas atendidas;
- parte da IT 15 aplicável;
- tipo de sistema: natural, mecânico ou combinado;
- objetivos do sistema;
- critérios de dimensionamento;
- área de acantonamento;
- altura da camada de fumaça;
- aberturas de extração;
- entradas de ar;
- barreiras de fumaça;
- ventiladores e exaustores;
- dutos e dampers;
- vazões;
- temperaturas de operação;
- acionamento automático e manual;
- integração com SDAI;
- alimentação elétrica;
- energia de emergência;
- lógica de operação;
- simulação ou análise de falha quando aplicável;
- detalhes construtivos;
- memorial de cálculo;
- plano de testes e manutenção.
O projeto deve deixar claro como o sistema funciona em emergência, e não apenas onde estão os equipamentos.
O que é memorial de cálculo de controle de fumaça?
Memorial de cálculo é o documento técnico que demonstra os critérios adotados para dimensionamento do sistema.
Ele pode incluir:
- cenário de incêndio;
- área protegida;
- carga de incêndio ou risco;
- altura do ambiente;
- altura livre de fumaça;
- taxa de produção de fumaça;
- área de extração;
- vazão de extração;
- entrada de ar;
- dimensionamento de dutos;
- perda de carga;
- seleção de ventiladores;
- temperatura de operação;
- tempo de autonomia;
- comandos e acionamentos;
- critérios da parte aplicável da IT 15.
Sem memorial, o sistema pode virar apenas representação gráfica, sem comprovação de desempenho.
Controle de fumaça precisa de manutenção?
Sim. Sistemas de controle de fumaça precisam ser inspecionados, testados e mantidos.
A manutenção pode envolver:
- ventiladores;
- motores;
- painéis;
- dampers;
- venezianas;
- aberturas naturais;
- sensores;
- comandos manuais;
- integração com detecção e alarme;
- fontes de alimentação;
- geradores;
- dutos;
- barreiras de fumaça;
- dispositivos motorizados;
- baterias e sistemas auxiliares;
- sinalização de comandos;
- registros de teste.
Um sistema que não é testado pode não abrir venezianas, não acionar ventiladores, não receber sinal do alarme ou falhar parcialmente em emergência.
Testes de aceitação e verificação
Após a instalação, o sistema deve ser testado para verificar se opera conforme o projeto.
Os testes podem incluir:
- acionamento automático;
- acionamento manual;
- abertura de venezianas;
- partida de ventiladores;
- funcionamento de dampers;
- verificação de comandos;
- conferência de alimentação elétrica;
- simulação de falha;
- medição de vazões;
- verificação de sentido de fluxo;
- inspeção de barreiras;
- integração com alarme;
- funcionamento em modo emergência.
A complexidade dos testes depende do tipo de sistema e da parte aplicável da IT 15.
Aspectos de segurança da IT 15
A Parte 8 da IT 15/2025 trata de aspectos de segurança.
Um dos pontos relevantes é que sistemas de controle de fumaça podem exigir análise de falha, especialmente quando o funcionamento depende de componentes principais, comandos, pressões, equilíbrio entre áreas ou operação parcial do sistema.
Isso reforça que controle de fumaça não é apenas dimensionar vazão. É necessário pensar em falhas de projeto, operação indevida, falha parcial de componentes e consequências para o desempenho global.
Controle de fumaça em edificações existentes
Edificações existentes podem apresentar dificuldades para implantação de controle de fumaça.
Alguns desafios comuns são:
- falta de espaço para dutos;
- ausência de shafts técnicos;
- impossibilidade de criar aberturas naturais;
- subsolos sem ventilação adequada;
- interferência com ar-condicionado existente;
- pé-direito insuficiente;
- compartimentação inadequada;
- ausência de sistema de alarme integrado;
- falta de energia de emergência;
- limitações arquitetônicas;
- ocupação em funcionamento;
- necessidade de obra complexa.
Nesses casos, a análise deve ser feita com cuidado, observando as normas aplicáveis para edificações existentes, as exigências do processo e a viabilidade técnica das soluções.
Controle de fumaça em projetos novos
Em projetos novos, o controle de fumaça deve ser pensado desde as fases iniciais.
Decisões arquitetônicas como altura do pé-direito, presença de átrio, fachadas, sheds, lanternins, subsolos, rotas horizontais, escadas, shafts, compartimentações e áreas técnicas impactam diretamente o sistema.
Quando o controle de fumaça é deixado para o final, podem surgir soluções caras, difíceis de executar ou tecnicamente frágeis.
O ideal é compatibilizar arquitetura, estrutura, HVAC, elétrica, automação, incêndio e operação desde o início.
Erros comuns em controle de fumaça
Alguns erros aparecem com frequência em projetos e instalações:
- confundir ventilação comum com controle de fumaça;
- tratar exaustor comum como ventilador de extração de fumaça;
- não prever entrada de ar;
- não considerar acantonamento;
- ignorar compartimentação;
- não compatibilizar com ar-condicionado;
- não integrar com detecção e alarme;
- não prever alimentação de emergência;
- não testar dampers e venezianas;
- não apresentar memorial de cálculo;
- escolher sistema natural sem área de abertura suficiente;
- escolher sistema mecânico sem verificar temperatura e perda de carga;
- não considerar subsolos e áreas sem janelas;
- aplicar a parte errada da IT 15;
- não analisar falhas;
- alterar layout sem revisar o sistema;
- não realizar manutenção periódica.
Controle de fumaça é uma das disciplinas mais sensíveis da segurança contra incêndio, porque depende do comportamento dinâmico da fumaça e da integração de muitos sistemas.
Perguntas frequentes
O que é controle de fumaça?
É o conjunto de medidas destinadas a limitar, direcionar ou remover fumaça e gases quentes em caso de incêndio, melhorando as condições de abandono e atuação das equipes de emergência.
Qual é a norma de controle de fumaça em São Paulo?
No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 15/2025 – Controle de fumaça.
Quantas partes tem a IT 15/2025?
A IT 15/2025 é composta por 9 partes: regras gerais; conceitos e componentes; controle natural em comerciais, industriais e depósitos; controle natural nas demais ocupações; controle mecânico; rotas horizontais e subsolos; átrios; aspectos de segurança; e situações específicas em subsolos e edificações sem janelas.
Controle de fumaça é o mesmo que exaustão?
Não exatamente. Exaustão é uma forma de retirar fumaça. Controle de fumaça é mais amplo e envolve extração, entrada de ar, acantonamento, barreiras, acionamento, segurança e integração com outros sistemas.
Controle de fumaça é o mesmo que ventilação?
Não. Ventilação comum trata de conforto ou renovação de ar. Controle de fumaça é sistema de segurança contra incêndio.
O que é controle de fumaça natural?
É o sistema que utiliza aberturas, venezianas, lanternins ou dispositivos naturais para permitir a saída de fumaça e gases quentes, aproveitando seu comportamento térmico.
O que é controle de fumaça mecânico?
É o sistema que usa ventiladores, exaustores, dutos, dampers e comandos para remover fumaça de forma forçada.
Controle de fumaça é obrigatório em toda edificação?
Não. A exigência depende do enquadramento da edificação, ocupação, área, altura, subsolos, átrios, rotas, grandes volumes e critérios do Regulamento e das Instruções Técnicas aplicáveis.
Controle de fumaça substitui sprinklers?
Não. Controle de fumaça e sprinklers têm funções diferentes. Um atua sobre fumaça e gases quentes; o outro atua sobre o fogo por descarga de água.
Controle de fumaça substitui pressurização de escada?
Não. A pressurização de escada é tratada pela IT 13 e protege rotas verticais contra entrada de fumaça. A IT 15 trata de controle de fumaça em ambientes, rotas horizontais, subsolos, átrios e situações específicas.
Sistema de controle de fumaça precisa de manutenção?
Sim. Ventiladores, venezianas, dampers, comandos, sensores, painéis, fontes de energia, dutos e dispositivos de abertura precisam ser testados e mantidos.
Controle de fumaça precisa de memorial de cálculo?
Sim, quando exigido ou necessário para demonstrar o dimensionamento. O memorial deve justificar critérios, vazões, aberturas, entrada de ar, acantonamento, equipamentos e desempenho do sistema.
Conclusão
O controle de fumaça é uma medida fundamental em segurança contra incêndio porque a fumaça pode comprometer rapidamente a visibilidade, a respiração, as rotas de fuga e a atuação das equipes de emergência.
No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 15/2025, organizada em 9 partes. Essa estrutura reflete a complexidade do tema, que envolve regras gerais, conceitos, sistemas naturais, sistemas mecânicos, rotas horizontais, subsolos, átrios, aspectos de segurança e situações específicas.
O controle de fumaça não deve ser confundido com ventilação comum. Ele exige projeto técnico, análise de desempenho, entrada de ar, extração, acantonamento, integração com detecção e alarme, compatibilização com compartimentação, sinalização, iluminação, saídas e manutenção.
Quando bem projetado, instalado e mantido, o sistema ajuda a preservar condições mais favoráveis para abandono, reduz a migração de fumaça e apoia a resposta à emergência.
Consulte a IT 15/2025 completa no Guia SEGCI e acompanhe os próximos conteúdos da série sobre controle de fumaça natural, controle mecânico, átrios, subsolos, acantonamento e comparativo entre IT 15/2019 e IT 15/2025.