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Sumário

O que é CMAR?

CMAR

CMAR é a sigla para Controle de Materiais de Acabamento e de Revestimento.

No contexto da segurança contra incêndio, o CMAR estabelece critérios para os materiais utilizados em pisos, paredes, divisórias, tetos, forros, coberturas e materiais termoacústicos, com o objetivo de restringir a propagação do fogo e o desenvolvimento de fumaça.

No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 10/2025 – Controle de materiais de acabamento e de revestimento, que estabelece as condições a serem atendidas pelos materiais empregados nas edificações, conforme o Regulamento de Segurança Contra Incêndio.

Em termos práticos, o CMAR responde a uma pergunta essencial: os materiais aparentes ou incorporados aos ambientes contribuem para o crescimento rápido do incêndio e para a produção de fumaça, ou possuem desempenho compatível com a ocupação e o local onde foram instalados?

Para que serve o CMAR?

O CMAR serve para controlar o comportamento dos materiais de acabamento e revestimento em situação de incêndio.

Entre seus objetivos principais estão:

  • reduzir a velocidade de propagação das chamas;
  • limitar o desenvolvimento de fumaça;
  • evitar que materiais de acabamento contribuam rapidamente para o crescimento do incêndio;
  • melhorar as condições de abandono;
  • proteger rotas de fuga e áreas de circulação;
  • reduzir riscos em locais de reunião de público;
  • compatibilizar arquitetura, interiores e segurança contra incêndio;
  • definir classes mínimas de materiais conforme ocupação e posição de instalação;
  • exigir documentação técnica que comprove o desempenho dos materiais;
  • apoiar a análise do projeto e da vistoria pelo Corpo de Bombeiros.

O CMAR é uma medida de prevenção e proteção passiva. Ele não apaga o incêndio, mas reduz condições que podem favorecer seu crescimento e a formação de fumaça.

Qual norma trata do CMAR?

No Estado de São Paulo, a norma principal é a IT 10/2025 – Controle de materiais de acabamento e de revestimento.

A IT 10/2025 entrou em vigor em 20 de março de 2025, conforme a Portaria nº CCB-003/800/25, e substituiu a IT 10/2019.

A norma estabelece parâmetros para o controle dos materiais de acabamento e revestimento, considerando a ocupação da edificação, o uso e a posição dos materiais.

A IT 10 deve ser lida em conjunto com:

  • IT 03/2025, para terminologia;
  • IT 01/2025, para apresentação em projeto técnico;
  • IT 11/2025, quando houver impacto em rotas de fuga;
  • IT 15/2025, pela relação indireta com desenvolvimento e movimento de fumaça;
  • IT 42/2025, nos processos de Projeto Técnico Simplificado em que o CMAR for exigido;
  • normas de ensaio e classificação dos materiais quanto à reação ao fogo.

O que diz a IT 10/2025?

A IT 10/2025 estabelece condições para que os materiais de acabamento e revestimento empregados nas edificações restrinjam a propagação de fogo e o desenvolvimento de fumaça.

A norma se aplica às edificações onde o controle de materiais de acabamento e revestimento é exigido conforme as ocupações e usos constantes da Tabela B.1 do Anexo B.

A IT 10/2025 organiza o CMAR considerando a posição dos materiais, como:

  • piso;
  • paredes e divisórias;
  • teto e forro;
  • cobertura;
  • materiais termoacústicos;
  • faces externas de fachadas, quando aplicável.

A norma também indica métodos de ensaio para classificação dos materiais quanto ao comportamento frente ao fogo, com base nas tabelas do Anexo A.

CMAR é reação ao fogo?

Sim, o CMAR está diretamente ligado à reação ao fogo dos materiais.

Reação ao fogo é o comportamento de um material quando exposto ao fogo, especialmente em relação a aspectos como ignição, propagação de chamas, liberação de calor, gotejamento, desprendimento de partículas e produção de fumaça.

É importante diferenciar:

  • reação ao fogo: comportamento do material como combustível ou contribuinte para o incêndio;
  • resistência ao fogo: capacidade de um elemento construtivo manter função por determinado tempo, como estabilidade, integridade ou isolamento.

O CMAR trata principalmente da reação ao fogo dos materiais de acabamento e revestimento. Já a resistência ao fogo é tema mais relacionado à IT 08 e à IT 09, conforme a função do elemento.

CMAR é a mesma coisa que segurança estrutural?

Não.

CMAR e segurança estrutural contra incêndio são temas diferentes.

O CMAR trata do comportamento de materiais de acabamento, revestimento e isolamento termoacústico quanto à propagação de fogo e geração de fumaça.

A segurança estrutural contra incêndio, tratada na IT 08/2025, trata da resistência dos elementos estruturais e de compartimentação ao fogo por determinado tempo, conforme o TRRF.

Um revestimento pode ser relevante para CMAR, para proteção estrutural ou para ambos, dependendo da função. Por isso, é necessário entender se o material está sendo analisado como acabamento, revestimento, proteção passiva, compartimentação ou componente estrutural.

CMAR é a mesma coisa que compartimentação?

Não.

A compartimentação, tratada na IT 09/2025, limita a propagação de fogo e fumaça entre ambientes, pavimentos ou setores, por meio de paredes, lajes, portas, selagens e outros elementos resistentes ao fogo.

O CMAR controla o comportamento dos materiais aplicados em superfícies e sistemas de acabamento, buscando reduzir propagação superficial de chamas e desenvolvimento de fumaça.

As duas medidas podem se relacionar. Por exemplo, uma rota de fuga compartimentada pode perder segurança se seus revestimentos internos tiverem comportamento inadequado ao fogo.

Quais materiais entram no CMAR?

O CMAR pode envolver materiais aplicados em diferentes posições da edificação.

Entre os exemplos estão:

  • pisos vinílicos;
  • carpetes;
  • laminados;
  • madeira de acabamento;
  • painéis decorativos;
  • revestimentos de parede;
  • papéis de parede;
  • divisórias;
  • forros minerais;
  • forros de PVC;
  • forros de gesso acartonado;
  • painéis acústicos;
  • espumas acústicas;
  • isolamentos termoacústicos;
  • mantas;
  • revestimentos de cobertura;
  • materiais de fachada;
  • cortinas, quando enquadradas em exigência específica;
  • materiais decorativos fixos;
  • revestimentos aplicados em áreas de circulação;
  • materiais instalados em rotas de fuga.

Nem todo material decorativo será necessariamente tratado do mesmo modo. A exigência depende da ocupação, do local de instalação, da posição do material e da classe mínima requerida.

O que são materiais de acabamento?

Materiais de acabamento são aqueles utilizados na camada final visível de uma superfície, com função estética, de proteção, uso ou conforto.

Exemplos:

  • pintura;
  • papel de parede;
  • laminado;
  • carpete;
  • piso vinílico;
  • piso emborrachado;
  • revestimento melamínico;
  • painéis decorativos;
  • tecido aplicado;
  • forro aparente;
  • acabamento acústico;
  • revestimento de parede.

Esses materiais podem contribuir para propagação de chamas e geração de fumaça, por isso podem ser controlados pela IT 10.

O que são materiais de revestimento?

Materiais de revestimento são aqueles aplicados sobre elementos construtivos, como paredes, pisos, tetos, forros, fachadas ou coberturas.

Eles podem ter função estética, técnica, acústica, térmica, de proteção, de acabamento ou de desempenho.

Em incêndio, o revestimento pode influenciar:

  • propagação superficial de chamas;
  • produção de fumaça;
  • liberação de calor;
  • gotejamento ou desprendimento de partículas;
  • combustibilidade da superfície;
  • comportamento de rotas de fuga e ambientes de público.

Por isso, a escolha de revestimentos deve considerar não apenas arquitetura e custo, mas também reação ao fogo.

O que são materiais termoacústicos?

Materiais termoacústicos são materiais usados para isolamento térmico ou acústico.

Podem aparecer em forros, paredes, coberturas, fachadas, casas de máquinas, estúdios, teatros, auditórios, cinemas, hotéis, hospitais, escolas, indústrias e áreas técnicas.

Exemplos comuns:

  • lã de vidro;
  • lã de rocha;
  • espumas acústicas;
  • mantas térmicas;
  • painéis acústicos;
  • isolantes poliméricos;
  • materiais instalados em coberturas e fachadas.

Esses materiais exigem cuidado porque muitos ficam ocultos ou semiocultos, mas podem influenciar a propagação do fogo e a geração de fumaça.

Por que o CMAR é importante em rotas de fuga?

Rotas de fuga precisam manter condições mínimas para o abandono seguro da edificação.

Se corredores, halls, escadas, antecâmaras ou áreas de circulação tiverem materiais com alta propagação superficial de chamas ou grande geração de fumaça, o abandono pode ser comprometido.

A fumaça reduz visibilidade, dificulta respiração e desorienta os ocupantes. Materiais inadequados podem acelerar esse processo.

Por isso, materiais aplicados em rotas de fuga costumam receber atenção especial no CMAR.

Por que o CMAR é importante em locais de reunião de público?

Locais de reunião de público podem concentrar muitas pessoas, inclusive pessoas que não conhecem a edificação.

Exemplos:

  • cinemas;
  • teatros;
  • casas de shows;
  • auditórios;
  • templos;
  • salões;
  • arenas;
  • casas noturnas;
  • centros de eventos;
  • restaurantes com grande lotação;
  • espaços de exposição.

Nesses ambientes, a combinação de público, acabamento interno, revestimentos decorativos, painéis acústicos, cortinas, cenografia, iluminação cênica e baixa familiaridade com as rotas pode aumentar a importância do controle dos materiais.

CMAR inadequado pode contribuir para propagação rápida do fogo e aumento de fumaça em locais com grande concentração de pessoas.

CMAR é obrigatório em toda edificação?

Não necessariamente.

A IT 10/2025 aplica-se às edificações onde o CMAR é exigido conforme ocupações e usos constantes da Tabela B.1 do Anexo B.

A própria IT 10/2025 também prevê situações em que o CMAR não será exigido, como em determinadas edificações com área menor ou igual a 750 m² e altura menor ou igual a 12 m, para grupos/divisões especificados na norma.

Portanto, a exigência deve ser verificada caso a caso, considerando:

  • ocupação;
  • uso;
  • área;
  • altura;
  • grupo e divisão;
  • posição dos materiais;
  • risco específico;
  • tipo de processo;
  • exigências do Regulamento e das ITs aplicáveis.

Não é correto afirmar que todo imóvel precisa apresentar CMAR, nem que pequenas edificações estão sempre dispensadas.

Quando o CMAR é exigido?

O CMAR é exigido em razão da ocupação e do uso da edificação, e em função da posição dos materiais empregados.

A análise deve considerar materiais aplicados em:

  • pisos;
  • paredes e divisórias;
  • tetos e forros;
  • coberturas;
  • fachadas;
  • materiais termoacústicos;
  • áreas comuns;
  • locais de reunião de público;
  • rotas de fuga;
  • áreas especiais.

A Tabela B.1 do Anexo B da IT 10/2025 deve ser consultada para verificar as exigências conforme a ocupação e a posição do material.

O que são classes de CMAR?

As classes de CMAR indicam o desempenho dos materiais quanto à reação ao fogo.

Essas classes são definidas com base em métodos de ensaio e critérios previstos na IT 10/2025 e em normas técnicas associadas.

As tabelas do Anexo A da IT 10 indicam os métodos de ensaio e os padrões usados para classificar materiais conforme comportamento frente ao fogo.

Em termos práticos, a classe informa se o material atende ou não à exigência mínima para determinado ambiente e posição de instalação.

Como saber a classe de um material?

A classe de um material deve ser comprovada por documentação técnica compatível, normalmente por meio de laudos de ensaio, relatórios técnicos, certificados, fichas técnicas, declarações do fabricante ou documentos aceitos conforme a norma e o processo.

A informação deve ser rastreável e coerente com:

  • fabricante;
  • produto;
  • composição;
  • espessura;
  • sistema aplicado;
  • substrato;
  • método de ensaio;
  • classe obtida;
  • validade, quando aplicável;
  • uso pretendido;
  • posição de instalação;
  • ambiente de aplicação.

Um erro comum é usar ficha comercial genérica sem comprovação de classe de reação ao fogo para o sistema efetivamente instalado.

O que é laudo de CMAR?

Laudo de CMAR é o documento técnico que comprova ou analisa a classificação dos materiais de acabamento e revestimento quanto à reação ao fogo.

Ele pode ser baseado em ensaios, certificados, documentação de fabricante, normas técnicas e análise do responsável técnico.

Um bom laudo deve permitir identificar:

  • material analisado;
  • local de aplicação;
  • classe exigida;
  • classe comprovada;
  • método de ensaio;
  • documento de origem;
  • fabricante;
  • lote ou especificação, quando aplicável;
  • validade ou limitações;
  • conclusão de atendimento ou não atendimento;
  • responsabilidade técnica.

O laudo não deve ser apenas uma declaração genérica. Ele precisa ter rastreabilidade.

O que é memorial de CMAR?

Memorial de CMAR é o documento técnico que organiza as informações dos materiais de acabamento e revestimento aplicados ou previstos no projeto.

Ele pode apresentar:

  • ambientes analisados;
  • materiais por piso, parede, divisória, teto, forro e cobertura;
  • classe exigida por ambiente;
  • classe comprovada;
  • laudos ou certificados vinculados;
  • observações de aplicação;
  • indicação de tratamentos retardantes, quando houver;
  • responsabilidade técnica;
  • conclusão de conformidade.

Em projetos complexos, o memorial de CMAR ajuda a evitar inconsistência entre plantas, especificações, compras, execução e vistoria.

O que deve constar no projeto técnico?

A IT 01/2025 indica que, para o controle de materiais de acabamento e revestimento, o projeto deve apresentar a classe dos materiais de piso, parede, divisória, teto e forro correspondente a cada ambiente nos respectivos cortes, em notas específicas ou por meio de quadro de informações referente à IT 10.

Na prática, o projeto pode apresentar um quadro de CMAR indicando:

  • pavimento;
  • ambiente;
  • ocupação;
  • material de piso;
  • classe do piso;
  • material de parede/divisória;
  • classe da parede/divisória;
  • material de teto/forro;
  • classe do teto/forro;
  • material termoacústico;
  • documentação comprobatória;
  • observações.

Esse quadro facilita análise, execução e vistoria.

CMAR precisa de ART, RRT ou TRT?

Quando houver responsabilidade técnica relacionada ao controle de materiais de acabamento e revestimento, deve haver documento de responsabilidade técnica compatível com o serviço prestado e a habilitação profissional.

Em processos de PTS, a IT 42/2025 menciona apresentação de comprovante de responsabilidade técnica referente a riscos específicos existentes, incluindo controle de materiais de acabamento e revestimento.

A necessidade e o escopo da ART, RRT ou TRT dependem do processo, da atividade, da edificação, do tipo de intervenção e das exigências do órgão competente.

O importante é que a responsabilidade técnica corresponda ao que foi efetivamente analisado, especificado, instalado ou declarado.

CMAR em Projeto Técnico Simplificado

A IT 42/2025 relaciona o CMAR a determinadas situações de Projeto Técnico Simplificado.

Em processos simplificados, especialmente em ocupações como hotéis, motéis, flats, hospedagens, locais de reunião de público e outros casos previstos, pode ser exigido atendimento aos parâmetros da IT 10.

Isso é relevante porque muitos profissionais associam PTS apenas a extintores, iluminação e sinalização. Dependendo da ocupação, o CMAR também pode ser exigido.

A análise deve verificar se o processo é PTS com AVCB, PTS com CLCB, atividade econômica de baixo risco ou Projeto Técnico, e quais documentos são exigidos em cada caso.

CMAR em áreas comuns e áreas privativas

A responsabilidade pelo controle de materiais pode variar conforme o tipo de área.

Em áreas comuns, como halls, corredores, escadas, recepções, circulações e espaços de uso coletivo, a especificação e manutenção dos materiais geralmente envolve o responsável pela edificação, condomínio, proprietário ou responsável pelo uso.

Em áreas privativas, como lojas, salas, quartos, unidades autônomas ou ambientes locados, alterações internas podem introduzir materiais diferentes dos previstos originalmente.

Por isso, edifícios comerciais, hotéis, shoppings, hospitais, escolas e condomínios devem ter controle sobre reformas, decoração, forros, revestimentos e painéis instalados pelos ocupantes.

CMAR em shoppings e lojas

Shoppings e centros comerciais merecem atenção especial porque possuem áreas comuns, lojas privativas, quiosques, restaurantes, cinemas, depósitos e corredores de circulação.

Um lojista pode instalar painéis, forros, pisos, letreiros, tecidos, mobiliário fixo e materiais decorativos que alteram o comportamento ao fogo do ambiente.

Por isso, o controle de lojas e reformas internas deve exigir documentação de CMAR quando aplicável.

A gestão do empreendimento deve verificar se os materiais usados pelos lojistas são compatíveis com as exigências da IT 10 e com as condições do AVCB.

CMAR em hotéis, motéis e hospedagens

O Grupo B, relacionado a hospedagem, aparece frequentemente em exigências de CMAR.

Hotéis e similares possuem corredores, quartos, halls, restaurantes, áreas de evento, carpetes, cortinas, revestimentos decorativos, forros e materiais acústicos.

Esses materiais podem influenciar diretamente a propagação de chamas e a geração de fumaça.

Em hospedagens, a presença de pessoas dormindo aumenta a importância da prevenção, da detecção, do alarme, das rotas de fuga e do controle dos materiais internos.

CMAR em escolas e universidades

Escolas, faculdades e universidades podem possuir salas de aula, auditórios, laboratórios, bibliotecas, teatros, quadras, refeitórios e áreas de circulação.

O CMAR deve ser analisado conforme a ocupação e o ambiente, especialmente em locais com grande público, crianças, adolescentes ou pessoas com mobilidade reduzida.

Materiais como pisos emborrachados, painéis acústicos, revestimentos de parede, forros e materiais decorativos devem ser especificados com atenção.

CMAR em hospitais e serviços de saúde

Hospitais e serviços de saúde possuem áreas críticas, pacientes com mobilidade reduzida, rotas de abandono complexas, quartos, corredores, áreas técnicas, salas cirúrgicas, laboratórios, depósitos e áreas de espera.

A geração de fumaça e a propagação de chamas podem comprometer rapidamente a evacuação ou defesa no local.

Por isso, o controle de materiais de acabamento e revestimento é especialmente sensível em ocupações de saúde.

CMAR em cinemas, teatros e auditórios

Cinemas, teatros e auditórios podem ter grande quantidade de materiais acústicos, estofamentos, cortinas, carpetes, revestimentos decorativos e cenografia.

Muitos desses materiais têm potencial de contribuir para propagação de chamas e produção de fumaça se não forem adequadamente especificados.

Além disso, são ambientes de reunião de público, frequentemente com iluminação reduzida e pessoas que não conhecem a edificação.

O CMAR é uma medida decisiva nesses locais.

CMAR em indústrias e depósitos

Em indústrias e depósitos, a análise de CMAR pode envolver materiais de acabamento, isolamento térmico, forros, painéis, coberturas, mantas, divisórias e fachadas.

Embora o foco muitas vezes esteja na carga de incêndio do processo ou do armazenamento, os materiais construtivos e de revestimento também podem influenciar a propagação do incêndio.

Em depósitos, é importante diferenciar o material armazenado da composição das superfícies e sistemas construtivos. Ambos podem ser relevantes, mas pertencem a análises normativas diferentes.

CMAR em fachadas

Fachadas podem envolver revestimentos externos, painéis compostos, isolantes, câmaras de ar, sistemas ventilados, chapas, mantas e materiais poliméricos.

A propagação de incêndio por fachada é um tema crítico em segurança contra incêndio, especialmente em edifícios altos, fachadas ventiladas e sistemas com materiais combustíveis.

A IT 10/2025 inclui referências à posição dos materiais e pode tratar de faces externas de fachadas conforme critérios da norma.

A análise de fachada deve considerar também compartimentação vertical, isolamento de risco, propagação de chamas e normas técnicas específicas de fachada quando aplicáveis.

CMAR em forros

Forros são elementos críticos porque ficam na parte superior do ambiente, onde a fumaça e os gases quentes se acumulam.

Um forro inadequado pode contribuir para propagação rápida de chamas, gotejamento, desprendimento de partículas ou geração intensa de fumaça.

Além disso, o espaço acima do forro pode conter instalações elétricas, dutos, sprinklers, detectores, luminárias, cabos e materiais termoacústicos.

Por isso, o material do forro e o material oculto acima dele precisam ser analisados com cuidado.

CMAR em pisos

Pisos também podem ser relevantes para CMAR, especialmente em rotas de fuga, locais de reunião de público, hospedagens, áreas de saúde, escolas e ambientes com grande circulação.

Carpetes, pisos vinílicos, laminados, pisos emborrachados e revestimentos poliméricos podem ter desempenho variável quanto à propagação de chamas e fumaça.

A especificação deve considerar a classe exigida pela IT 10 para aquele ambiente e ocupação.

CMAR em paredes e divisórias

Paredes e divisórias podem receber revestimentos combustíveis, painéis decorativos, laminados, tecidos, papéis, espumas, madeira, PVC, MDF ou sistemas compostos.

Divisórias leves também podem conter miolos, isolantes ou painéis com desempenho variável.

A análise deve considerar o sistema aplicado, não apenas a face aparente.

Um painel com acabamento estético adequado pode ter miolo combustível ou comportamento inadequado se não houver comprovação técnica.

CMAR em tetos e coberturas

Tetos, forros e coberturas podem envolver materiais de acabamento, isolamento térmico, mantas, painéis sanduíche, telhas termoacústicas e revestimentos internos.

Em caso de incêndio, esses elementos podem contribuir para propagação superior do fogo e produção de fumaça.

Painéis termoacústicos com núcleo combustível são tema de atenção em várias edificações, especialmente industriais, frigoríficos, depósitos, cozinhas industriais e ambientes técnicos.

Tratamento retardante de chamas resolve o CMAR?

Depende.

Tratamentos retardantes de chamas podem melhorar o desempenho de determinados materiais, mas não devem ser tratados como solução universal.

É necessário verificar:

  • se o produto é adequado ao material;
  • se há ensaio ou comprovação técnica;
  • se a aplicação foi realizada corretamente;
  • se há validade do tratamento;
  • se o material tratado atende à classe exigida;
  • se há manutenção ou reaplicação prevista;
  • se o tratamento é compatível com limpeza, umidade, abrasão e uso do ambiente;
  • se a documentação é aceita no processo.

O simples fato de aplicar um produto “antichama” não garante atendimento à IT 10.

Materiais certificados dispensam análise?

Não necessariamente.

Um material pode ter certificado ou laudo, mas ainda assim precisa ser compatível com:

  • a ocupação;
  • o ambiente;
  • a posição de instalação;
  • a classe exigida;
  • o substrato;
  • o sistema de montagem;
  • a espessura;
  • o método de ensaio;
  • as condições de uso.

Além disso, documentos vencidos, genéricos, sem identificação do produto ou sem relação com o sistema instalado podem ser insuficientes.

A análise técnica deve verificar a correspondência entre documento e aplicação real.

CMAR e fumaça

A IT 10 tem relação direta com o desenvolvimento de fumaça.

Materiais de acabamento e revestimento podem gerar grande quantidade de fumaça quando expostos ao fogo. Essa fumaça reduz visibilidade, dificulta evacuação, desorienta ocupantes, carrega gases tóxicos e pode comprometer rotas de fuga.

O CMAR atua antes mesmo da discussão sobre controle de fumaça da IT 15. Ele busca evitar que os próprios materiais de acabamento agravem rapidamente a produção e propagação da fumaça.

CMAR e sprinkler

A presença de sprinklers pode controlar ou limitar o desenvolvimento do incêndio, mas não deve ser usada de forma automática para dispensar CMAR, salvo quando a norma expressamente permitir determinada condição.

O CMAR trata do comportamento dos materiais, enquanto o sistema de sprinklers atua sobre o fogo por descarga de água.

As duas medidas podem se complementar. Um ambiente com materiais adequados e proteção por sprinklers tende a ter estratégia mais robusta do que um ambiente que depende de apenas uma medida.

CMAR e projeto de interiores

Projeto de interiores pode alterar significativamente o CMAR de uma edificação.

Itens como painéis decorativos, carpetes, forros, cortinas, divisórias, revestimentos acústicos, marcenaria fixa, mobiliário incorporado, revestimentos de parede e cenografia podem modificar o comportamento ao fogo do ambiente.

Por isso, arquitetos, designers, engenheiros e responsáveis técnicos devem compatibilizar o projeto de interiores com as exigências da IT 10.

Em locais sujeitos a vistoria, a escolha estética precisa estar alinhada ao desempenho de segurança contra incêndio.

CMAR e reformas

Reformas podem descaracterizar o CMAR aprovado.

Exemplos:

  • troca de piso;
  • instalação de carpete;
  • aplicação de painéis de madeira;
  • fechamento de paredes com PVC;
  • instalação de forro novo;
  • colocação de espuma acústica;
  • alteração de fachada;
  • instalação de divisórias;
  • mudança de uso do ambiente;
  • criação de auditório ou sala de reunião;
  • alteração de loja em shopping.

Sempre que houver troca de materiais relevantes, o responsável deve verificar se a nova solução atende à classe exigida.

CMAR e manutenção da edificação

O CMAR não termina no AVCB.

Ao longo da vida útil da edificação, materiais podem ser substituídos, tratados, removidos ou danificados.

A manutenção deve controlar:

  • validade de tratamentos retardantes;
  • conservação de revestimentos;
  • substituição por material equivalente;
  • documentos técnicos;
  • alterações de layout;
  • reformas de locatários;
  • instalação de materiais temporários;
  • eventos e cenografias;
  • áreas comuns e privativas;
  • atualizações de projeto.

Uma edificação pode estar regular em um momento e perder conformidade após alterações internas.

O que deve constar em um quadro de CMAR?

Um quadro de CMAR pode conter:

Informação Exemplo de preenchimento
Pavimento Térreo
Ambiente Hall de entrada
Ocupação Comercial
Piso Porcelanato / classe informada
Parede/divisória Pintura acrílica / classe informada
Teto/forro Forro mineral / classe informada
Material termoacústico Não aplicável ou material específico
Classe exigida Conforme IT 10
Classe comprovada Conforme laudo
Documento comprobatório Laudo, certificado, ficha técnica
Observação Aplicação conforme fabricante

Esse quadro facilita conferência em projeto e vistoria.

Quais documentos reunir para CMAR?

A documentação pode variar conforme o caso, mas geralmente inclui:

  • laudos de ensaio;
  • relatórios de classificação;
  • certificados de conformidade;
  • fichas técnicas;
  • notas fiscais;
  • declaração do fabricante;
  • memorial de CMAR;
  • quadro de CMAR no projeto;
  • ART, RRT ou TRT, quando aplicável;
  • registros de aplicação de retardante;
  • validade do tratamento;
  • fotos de instalação;
  • especificação de materiais;
  • manual de manutenção;
  • documentação de substituição de materiais.

O objetivo é permitir rastreabilidade entre material especificado, material instalado e classe exigida.

O que mudou na IT 10/2025?

A IT 10/2025 substituiu a IT 10/2019 e manteve a função central do CMAR: estabelecer condições para materiais de acabamento e revestimento de modo a restringir propagação de fogo e desenvolvimento de fumaça.

O comparativo publicado no Guia SEGCI registra que a IT 10/2025 disciplina classes, critérios de ensaio, formas de apresentação em projeto e exigências para situações específicas de reação ao fogo.

Na prática, a versão de 2025 exige atenção à organização das tabelas, à apresentação do CMAR em projeto, à documentação dos materiais e à relação com o novo Regulamento de Segurança Contra Incêndio do Estado de São Paulo.

Erros comuns em CMAR

Alguns erros aparecem com frequência em projetos, obras e vistorias:

  • tratar CMAR como simples declaração;
  • não identificar materiais por ambiente;
  • não informar classes em projeto;
  • usar laudo genérico sem relação com o produto instalado;
  • confundir reação ao fogo com resistência ao fogo;
  • esquecer materiais termoacústicos;
  • ignorar forros e materiais acima do forro;
  • não controlar reformas de interiores;
  • aplicar retardante de chamas sem comprovação de classe;
  • não verificar validade do tratamento;
  • usar material diferente do especificado;
  • não documentar materiais em lojas e áreas privativas;
  • desconsiderar rotas de fuga;
  • não relacionar CMAR com ocupação e posição do material;
  • apresentar ART/RRT/TRT sem descrição adequada do serviço;
  • não revisar o CMAR após mudança de uso.

O CMAR exige rastreabilidade. A pergunta não é apenas “qual material foi usado?”, mas “qual material, em qual posição, com qual classe, comprovada por qual documento e aplicada em qual ambiente?”.


Perguntas frequentes

O que significa CMAR?

CMAR significa Controle de Materiais de Acabamento e de Revestimento.

Qual é a norma de CMAR em São Paulo?

No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 10/2025 – Controle de materiais de acabamento e de revestimento.

Para que serve o CMAR?

Serve para restringir a propagação do fogo e o desenvolvimento de fumaça a partir dos materiais de acabamento, revestimento e isolamento termoacústico aplicados na edificação.

CMAR é obrigatório em toda edificação?

Não necessariamente. A exigência depende da ocupação, uso, área, altura, posição dos materiais e critérios da IT 10/2025.

Quais materiais entram no CMAR?

Podem entrar materiais de piso, parede, divisória, teto, forro, cobertura, fachada e materiais termoacústicos, conforme a ocupação e a posição de instalação.

CMAR é reação ao fogo ou resistência ao fogo?

CMAR está ligado principalmente à reação ao fogo dos materiais. Resistência ao fogo é outro conceito, relacionado ao desempenho de elementos estruturais ou de compartimentação por determinado tempo.

O que é laudo de CMAR?

É o documento técnico que comprova ou analisa a classe de reação ao fogo dos materiais utilizados, com base em ensaios, certificados, fichas técnicas ou documentos aceitos.

Projeto precisa mostrar CMAR?

Quando exigido, sim. A IT 01/2025 indica que o projeto deve apresentar classes dos materiais de piso, parede, divisória, teto e forro por ambiente, cortes, notas ou quadro de informações da IT 10.

Retardante de chamas resolve o CMAR?

Depende. O tratamento precisa ser compatível com o material, aplicado corretamente, possuir documentação, validade e comprovação de que o sistema atende à classe exigida.

CMAR se aplica a fachadas?

Pode se aplicar, conforme a posição do material e os critérios da IT 10/2025. Fachadas com revestimentos combustíveis exigem atenção especial quanto à propagação de incêndio.

CMAR se aplica a forros?

Sim, quando exigido. Forros e materiais acima do forro podem influenciar a propagação de chamas e geração de fumaça.

CMAR interfere no PTS?

Pode interferir. A IT 42/2025 prevê exigências de CMAR em determinadas ocupações e situações de Projeto Técnico Simplificado.


Conclusão

O CMAR é uma medida essencial de segurança contra incêndio porque controla o comportamento dos materiais de acabamento e revestimento em relação à propagação de fogo e ao desenvolvimento de fumaça.

No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 10/2025, que estabelece condições para materiais aplicados em pisos, paredes, divisórias, tetos, forros, coberturas e materiais termoacústicos, conforme a ocupação e o uso da edificação.

O tema exige cuidado porque envolve arquitetura, interiores, engenharia, documentação técnica, ensaios, laudos, especificações e manutenção. Não basta declarar que o material é “antichama” ou “não inflamável”. É preciso comprovar a classe aplicável e demonstrar compatibilidade com o ambiente e a posição de instalação.

O CMAR também se relaciona com rotas de fuga, locais de reunião de público, controle de fumaça, compartimentação, fachadas, reformas, PTS e manutenção das condições de segurança da edificação.

Quando bem especificado, executado e documentado, o CMAR reduz a contribuição dos materiais para o crescimento do incêndio e para a produção de fumaça, favorecendo melhores condições de abandono e resposta à emergência.

Consulte a IT 10/2025 completa no Guia SEGCI e acompanhe os próximos conteúdos da série sobre classes de CMAR, laudo de CMAR, reação ao fogo, materiais termoacústicos, fachadas e comparativo entre IT 10/2019 e IT 10/2025.


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