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ToggleO que é Isolamento de Risco?

Isolamento de risco é a condição de separação entre edificações, áreas de risco ou blocos construtivos, destinada a impedir que um incêndio iniciado em uma edificação se propague para outra.
No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 07/2025 – Separação entre edificações (isolamento de risco). A norma estabelece critérios para o isolamento de risco de propagação do incêndio por radiação de calor, convecção de gases quentes e transmissão de chama, garantindo que o incêndio proveniente de uma edificação não se propague para outra.
Em termos práticos, o isolamento de risco responde a uma pergunta central: se uma edificação entrar em incêndio, a edificação vizinha, o bloco ao lado ou outra área de risco estarão suficientemente protegidos contra a propagação desse incêndio?
Essa proteção pode ocorrer por afastamento físico, por elementos construtivos resistentes ao fogo, por controle de aberturas, por paredes corta-fogo, por combinações de medidas ou por outros critérios previstos na norma.
Para que serve o isolamento de risco?
O isolamento de risco serve para limitar a propagação do incêndio entre edificações ou áreas distintas.
Entre seus objetivos práticos estão:
- impedir que o incêndio de uma edificação atinja outra;
- reduzir a exposição de fachadas vizinhas à radiação térmica;
- controlar a propagação por convecção de gases quentes;
- reduzir o risco de transmissão direta de chama;
- proteger edificações próximas dentro do mesmo lote;
- proteger edificações de propriedades diferentes;
- separar blocos com riscos diferentes;
- permitir análise independente de edificações ou áreas;
- apoiar o enquadramento das medidas de segurança contra incêndio;
- reduzir perdas patrimoniais e operacionais;
- contribuir para a segurança urbana e para a atuação do Corpo de Bombeiros.
O isolamento de risco é especialmente importante em conjuntos de edificações, galpões, depósitos, indústrias, condomínios, centros logísticos, áreas comerciais, edificações próximas à divisa e áreas com riscos específicos.
Qual norma trata do isolamento de risco?
No Estado de São Paulo, a norma principal é a IT 07/2025 – Separação entre edificações (isolamento de risco).
A IT 07/2025 entrou em vigor em 20 de março de 2025, no conjunto das Instruções Técnicas atualizadas pela Portaria nº CCB-003/800/25.
A norma deve ser lida em conjunto com o Regulamento de Segurança Contra Incêndio do Estado de São Paulo e com outras Instruções Técnicas relacionadas, como:
- IT 03/2025, para terminologia;
- IT 05/2025, para segurança contra incêndio urbanística;
- IT 06/2025, para acesso de viatura;
- IT 08/2025, para segurança estrutural contra incêndio;
- IT 09/2025, para compartimentação horizontal e vertical;
- IT 14/2025, para carga de incêndio;
- IT 23/2025, para sistemas de chuveiros automáticos, quando houver influência na análise;
- IT 42/2025, quando o enquadramento do processo depender da comprovação ou não do isolamento de risco.
Isolamento de risco é a mesma coisa que compartimentação?
Não. Isolamento de risco e compartimentação são conceitos relacionados, mas não são a mesma coisa.
A compartimentação limita a propagação do incêndio dentro de uma mesma edificação, entre ambientes, setores ou pavimentos.
O isolamento de risco limita a propagação do incêndio entre edificações ou blocos distintos.
Em termos simples:
- compartimentação horizontal: controla propagação no mesmo pavimento;
- compartimentação vertical: controla propagação entre pavimentos;
- isolamento de risco: controla propagação entre edificações ou riscos separados.
Uma parede resistente ao fogo pode participar de uma solução de compartimentação ou de isolamento de risco, dependendo da função que exerce no projeto. Por isso, o nome do elemento não basta. É necessário entender a finalidade técnica da medida.
Isolamento de risco é a mesma coisa que afastamento?
Não exatamente.
O afastamento entre edificações é uma das formas de obter isolamento de risco, mas não é a única.
O isolamento pode depender de:
- distância entre edificações;
- características das fachadas;
- porcentagem de aberturas;
- carga de incêndio;
- dimensões da fachada exposta;
- existência de paredes corta-fogo;
- presença de aberturas protegidas;
- arranjo físico das edificações;
- altura relativa entre blocos;
- materiais de fechamento;
- severidade do risco;
- proteção por chuveiros automáticos, quando aplicável pela norma.
Assim, o afastamento é um parâmetro físico. O isolamento de risco é a condição de segurança alcançada por meio de critérios técnicos.
Como o incêndio se propaga entre edificações?
A IT 07/2025 considera três mecanismos principais de propagação entre edificações:
- radiação de calor;
- convecção de gases quentes;
- transmissão de chama.
Esses mecanismos ajudam a explicar por que duas edificações próximas podem representar risco mútuo, mesmo sem contato direto entre elas.
A propagação pode ocorrer quando o calor emitido por uma fachada incendiada aquece materiais da edificação vizinha, quando gases quentes atingem áreas próximas ou quando chamas passam por aberturas, fachadas, coberturas ou elementos construtivos vulneráveis.
O que é radiação de calor?
Radiação de calor é a transferência de energia térmica por ondas eletromagnéticas, sem necessidade de contato direto.
Em um incêndio, uma fachada, abertura ou ambiente em chamas pode irradiar calor para uma edificação próxima. Se a distância for insuficiente ou se a fachada exposta possuir materiais vulneráveis, esse calor pode contribuir para ignição, deformação, ruptura de vidros, aquecimento de superfícies ou propagação do incêndio.
No isolamento de risco, a radiação de calor é um dos fatores centrais para definir a distância segura entre edificações.
O que é convecção de gases quentes?
Convecção é o transporte de calor pelo movimento de fluidos, como ar e gases.
Durante um incêndio, gases quentes e fumaça podem se deslocar para cima, para áreas laterais ou para edificações próximas, especialmente quando há aberturas, corredores externos, pátios estreitos, fachadas próximas, beirais, marquises ou diferenças de altura.
A convecção pode contribuir para a propagação do incêndio mesmo quando não há chama direta atingindo a edificação vizinha.
O que é transmissão de chama?
Transmissão de chama é a propagação direta do fogo de uma edificação para outra por meio de chamas que alcançam aberturas, coberturas, fachadas, materiais combustíveis ou elementos próximos.
Esse mecanismo pode ocorrer em edificações muito próximas, em áreas com materiais combustíveis expostos, em coberturas próximas, em fachadas com grandes aberturas ou em arranjos construtivos sem separação adequada.
A transmissão de chama é uma das razões pelas quais a IT 07 trata de afastamentos, aberturas, fachadas e elementos resistentes ao fogo.
Quando o isolamento de risco é necessário?
O isolamento de risco deve ser analisado sempre que houver possibilidade de propagação de incêndio entre edificações, áreas ou blocos.
Ele pode ser necessário em situações como:
- edificações distintas no mesmo lote;
- edificações próximas em lotes vizinhos;
- blocos independentes de um mesmo empreendimento;
- galpões industriais ou logísticos;
- depósitos e áreas de armazenamento;
- áreas com risco específico;
- edificações próximas à divisa;
- edificações com diferentes ocupações;
- edificações com diferentes cargas de incêndio;
- ampliações e reformas que aproximam blocos;
- regularização de imóveis existentes;
- enquadramento de processos no Corpo de Bombeiros.
A IT 07/2025 se aplica à separação entre edificações e áreas de risco, considerando os critérios técnicos previstos para impedir a propagação do incêndio.
Quais fatores influenciam o isolamento de risco?
A análise de isolamento de risco pode envolver vários fatores.
Entre os mais importantes estão:
- distância entre edificações;
- altura das edificações;
- largura e comprimento das fachadas expostas;
- percentual de aberturas nas fachadas;
- existência de aberturas protegidas;
- tipo de parede ou fechamento;
- resistência ao fogo dos elementos;
- carga de incêndio;
- severidade do risco;
- presença de chuveiros automáticos;
- tipo de cobertura;
- posição em relação à divisa;
- arranjo físico das edificações;
- diferença de altura entre blocos;
- existência de materiais combustíveis próximos;
- interferências de marquises, beirais, coberturas e passarelas.
A distância isolada não conta toda a história. Duas edificações podem ter a mesma distância entre si, mas apresentar riscos diferentes conforme as fachadas, aberturas, carga de incêndio e geometria.
O que é distância de separação entre edificações?
Distância de separação é o afastamento físico entre edificações ou áreas analisadas.
Na lógica do isolamento de risco, essa distância deve ser suficiente para reduzir a possibilidade de propagação do incêndio por radiação, convecção e chama direta.
A IT 07/2025 apresenta procedimentos, tabelas e anexos para determinação da separação exigida conforme os parâmetros da edificação.
Essa distância não deve ser arbitrária. Ela deve ser dimensionada ou verificada conforme os critérios normativos aplicáveis.
Como calcular o isolamento de risco?
O cálculo ou verificação do isolamento de risco depende dos procedimentos previstos na IT 07/2025.
Em linhas gerais, a análise pode envolver:
- identificar as edificações ou áreas de risco a comparar;
- determinar o arranjo físico das edificações;
- verificar as fachadas expostas;
- identificar aberturas e elementos de fechamento;
- classificar a severidade conforme carga de incêndio;
- verificar dimensões e porcentagem de aberturas;
- consultar tabelas, fórmulas ou anexos aplicáveis;
- comparar a distância existente com a distância exigida;
- avaliar necessidade de paredes corta-fogo, fechamento de aberturas ou proteção adicional;
- registrar a solução adotada no projeto ou memorial.
Esse procedimento deve ser feito pelo responsável técnico, com base na norma vigente e nos dados reais da edificação.
O que é fachada exposta?
Fachada exposta é a face da edificação que pode irradiar calor, transmitir chama ou receber a ação de um incêndio proveniente de outra edificação.
Na análise de isolamento de risco, a fachada exposta é relevante porque suas dimensões, aberturas e características construtivas influenciam a distância necessária entre edificações.
Uma fachada com grande área envidraçada ou muitas aberturas pode representar risco diferente de uma fachada sem aberturas e com resistência ao fogo adequada.
O que são aberturas na análise de isolamento?
Aberturas são vãos em fachadas ou elementos construtivos que podem permitir passagem de calor, chama, fumaça ou gases quentes.
Exemplos de aberturas incluem:
- janelas;
- portas;
- venezianas;
- portões;
- cobogós;
- brises vazados;
- lanternins;
- elementos vazados;
- aberturas de ventilação;
- fechamentos frágeis ou não resistentes ao fogo.
Na IT 07, a porcentagem de aberturas na fachada pode influenciar diretamente a distância exigida para isolamento de risco.
O que é abertura protegida?
Abertura protegida é uma abertura que possui elemento de proteção capaz de resistir à ação do fogo, conforme desempenho e critérios normativos aplicáveis.
Isso pode envolver portas corta-fogo, vidros resistentes ao fogo, vedadores, registros, fechamentos especiais ou outros sistemas especificados conforme o caso.
A presença de aberturas protegidas pode alterar a análise de propagação, mas não deve ser presumida sem comprovação técnica. O elemento precisa ter resistência, instalação e manutenção compatíveis com a função de proteção.
Parede corta-fogo pode garantir isolamento de risco?
Em determinadas situações, sim. Uma parede corta-fogo ou parede de isolamento pode ser usada como solução para impedir a propagação do incêndio entre edificações ou riscos.
Porém, a parede deve ser analisada tecnicamente. Ela precisa ter resistência ao fogo adequada, continuidade, estabilidade, proteção de aberturas e tratamento correto de encontros com cobertura, fachadas, pisos e instalações.
Uma parede com vãos desprotegidos, juntas abertas, passagens sem selagem ou interrupção no forro pode não cumprir a função de isolamento.
A parede corta-fogo não é apenas uma parede mais robusta. É um elemento com função técnica específica dentro do sistema de segurança contra incêndio.
Isolamento de risco entre edificações no mesmo lote
Em um mesmo lote, podem existir várias edificações ou blocos com funções diferentes. Por exemplo:
- prédio administrativo e galpão industrial;
- loja e depósito;
- cozinha industrial e salão de eventos;
- bloco de salas e estacionamento;
- galpões logísticos separados;
- unidade produtiva e almoxarifado;
- casa de bombas e edifício principal;
- subestação e edificação operacional.
Nesses casos, o isolamento de risco ajuda a definir se os blocos podem ser considerados separados para fins de análise das medidas de segurança, ou se devem ser tratados como um conjunto interligado.
A comprovação do isolamento pode influenciar o enquadramento do processo, a área considerada, as medidas exigidas e a estratégia de regularização.
Isolamento de risco entre propriedades distintas
A IT 07 também é relevante para edificações próximas a divisas ou vizinhas de outros imóveis.
A propagação de incêndio não respeita limite de propriedade. Uma edificação em chamas pode expor outra edificação vizinha por radiação, chama ou gases quentes.
Por isso, a análise do isolamento de risco deve considerar não apenas o que está dentro do lote, mas também a relação com edificações próximas quando isso for aplicável.
Em áreas urbanas densas, esse ponto é especialmente sensível.
Isolamento de risco e carga de incêndio
A carga de incêndio influencia a severidade do incêndio e, consequentemente, a análise de isolamento de risco.
Edificações com maior carga de incêndio tendem a apresentar maior potencial de geração de calor, duração do incêndio e exposição das fachadas próximas.
Por isso, a IT 07 utiliza a carga de incêndio como um dos parâmetros da análise.
A carga de incêndio deve ser avaliada conforme a IT 14/2025, considerando ocupação, uso específico, tabelas, altura de armazenamento ou cálculo determinístico quando aplicável.
Isolamento de risco e chuveiros automáticos
A presença de sistema de chuveiros automáticos pode influenciar a análise de severidade em determinadas situações previstas na norma.
A lógica é que um sistema de sprinklers corretamente projetado, instalado e mantido pode reduzir o desenvolvimento do incêndio, limitar a área afetada e diminuir a exposição térmica.
Mas isso não deve ser aplicado de forma genérica. O sistema precisa ser exigido, projetado e considerado conforme a IT 23, a IT 24, a NBR 10897, a NBR 16981 e os critérios específicos da IT 07.
Sprinkler não deve ser usado como argumento informal para reduzir distância sem base normativa.
Isolamento de risco e segurança estrutural
Elementos usados para isolamento de risco podem precisar manter estabilidade e resistência ao fogo durante o incêndio.
A segurança estrutural contra incêndio, tratada na IT 08/2025, pode ser relevante quando paredes, pilares, coberturas ou elementos estruturais sustentam ou interferem em barreiras de isolamento.
Um elemento de isolamento não pode perder sua função por colapso prematuro da estrutura ou por falha de apoio durante a ocorrência.
Por isso, isolamento de risco, compartimentação e segurança estrutural devem ser compatibilizados.
Isolamento de risco e compartimentação
A IT 09/2025 trata de compartimentação horizontal e vertical. A IT 07/2025 trata de separação entre edificações.
Na prática, as duas medidas podem se complementar.
Exemplo: um complexo com blocos próximos pode precisar comprovar isolamento de risco entre edificações e, dentro de cada edificação, atender à compartimentação horizontal ou vertical exigida.
O erro é tentar usar um conceito no lugar do outro sem verificar sua função.
Isolamento de risco e acesso de viaturas
A separação entre edificações também pode ter relação com a implantação urbana e com o acesso de viaturas.
A IT 06/2025 trata de acesso de viatura na edificação e áreas de risco. Em alguns empreendimentos, o afastamento entre blocos, vias internas, pátios e áreas de manobra pode influenciar tanto o isolamento quanto a operação das equipes de emergência.
Embora sejam temas diferentes, isolamento de risco e acesso operacional precisam ser compatibilizados no projeto de implantação.
Isolamento de risco e Projeto Técnico Simplificado
A comprovação de isolamento de risco pode influenciar o enquadramento do processo junto ao Corpo de Bombeiros.
A IT 42/2025, que trata de Projeto Técnico Simplificado, indica que determinadas edificações que necessitam comprovar isolamento de risco devem ser licenciadas por Projeto Técnico, salvo exceções previstas.
Esse ponto é importante para regularizações. Uma edificação que parece simples pela área ou altura pode sair do rito simplificado se depender de comprovação de isolamento de risco.
Isolamento de risco em edificações existentes
Edificações existentes podem apresentar dificuldades para atender distâncias de separação ideais, especialmente em áreas urbanas consolidadas.
Nesses casos, a solução pode envolver análise técnica, proteção de aberturas, paredes resistentes ao fogo, selagens, fechamento de vãos, alteração de uso, limitação de carga de incêndio, medidas complementares ou adequações previstas em normas aplicáveis.
A existência da edificação não elimina o risco. A regularização deve buscar solução compatível com a segurança e com os critérios normativos.
O que deve constar no projeto?
Quando o isolamento de risco for relevante para o processo, o projeto deve apresentar informações suficientes para demonstrar a solução adotada.
Entre os dados recomendáveis estão:
- identificação das edificações ou áreas analisadas;
- distâncias entre fachadas;
- relação com divisas;
- dimensões das fachadas expostas;
- altura das edificações;
- porcentagem e tipo de aberturas;
- carga de incêndio ou severidade considerada;
- presença de chuveiros automáticos, quando aplicável;
- paredes ou elementos resistentes ao fogo;
- proteção de aberturas;
- cortes e elevações necessários;
- memorial de cálculo ou justificativa técnica;
- indicação de materiais e resistência ao fogo;
- compatibilização com arquitetura, estrutura e instalações;
- indicação das normas aplicadas.
A documentação deve permitir que o analista, vistoriador ou outro profissional compreenda por que a solução atende ou não atende ao isolamento de risco.
O que é memorial de isolamento de risco?
O memorial de isolamento de risco é o documento técnico que apresenta a justificativa da separação entre edificações ou áreas.
Ele pode incluir dados geométricos, plantas, cortes, elevações, cálculo de distância, identificação de fachadas, análise de aberturas, carga de incêndio, severidade, elementos de proteção e conclusão técnica.
Esse memorial é importante quando a condição de isolamento não é evidente apenas pela planta baixa ou quando o enquadramento do processo depende da comprovação da separação.
Exemplos práticos de isolamento de risco
Exemplo 1: dois galpões no mesmo lote
Uma empresa possui dois galpões separados por pátio interno. Um galpão é administrativo e o outro é depósito. A análise deve verificar se a distância entre os blocos, as fachadas expostas, as aberturas e a carga de incêndio permitem considerar os riscos isolados.
Exemplo 2: loja com depósito nos fundos
Uma loja possui depósito separado por uma área descoberta. Dependendo da distância, das aberturas, da carga de incêndio e do fechamento dos ambientes, pode haver ou não isolamento de risco entre as áreas.
Exemplo 3: edificações próximas à divisa
Um prédio industrial está próximo de edificação vizinha. A fachada voltada para a divisa possui aberturas e materiais combustíveis. A análise deve verificar o risco de propagação para a propriedade adjacente.
Exemplo 4: bloco com parede corta-fogo
Duas áreas são separadas por parede resistente ao fogo, sem aberturas desprotegidas e com continuidade adequada. A parede pode participar da solução de isolamento, desde que atenda aos critérios normativos.
Exemplo 5: pátio com armazenamento externo
Mesmo com edificações afastadas, a presença de materiais combustíveis armazenados no pátio entre os blocos pode comprometer a condição de isolamento se esse material permitir propagação intermediária do incêndio.
Isolamento de risco e armazenamento externo
O armazenamento externo de materiais combustíveis pode comprometer o isolamento entre edificações.
Pátios, corredores externos, áreas de carga e descarga, docas, resíduos, pallets, bobinas, embalagens, veículos e recipientes combustíveis podem funcionar como ponte de propagação do incêndio.
Por isso, a análise de isolamento não deve considerar apenas a distância “limpa” entre paredes. É necessário observar o uso real do espaço entre edificações.
Isolamento de risco e alterações futuras
Uma edificação pode ter isolamento adequado no projeto inicial e perder essa condição ao longo do tempo.
Isso pode acontecer quando:
- uma nova cobertura é construída no afastamento;
- o pátio passa a ser usado como depósito;
- são abertas janelas em parede antes cega;
- são instalados portões ou venezianas;
- há ampliação de um bloco;
- materiais combustíveis passam a ser armazenados entre edificações;
- fachadas são modificadas;
- uma área descoberta é fechada;
- muda a ocupação ou a carga de incêndio.
Por isso, o isolamento de risco deve ser mantido durante a vida útil da edificação, e não apenas aprovado no projeto.
Erros comuns em isolamento de risco
Alguns erros aparecem com frequência em projetos e regularizações:
- confundir afastamento físico com isolamento de risco comprovado;
- medir distância sem considerar fachadas expostas;
- ignorar aberturas em paredes voltadas para outras edificações;
- não analisar carga de incêndio;
- considerar parede corta-fogo sem verificar continuidade e resistência;
- esquecer passagens de instalações e selagens;
- não avaliar armazenamento externo entre blocos;
- tratar edifícios no mesmo lote como isolados sem comprovação;
- ignorar diferença de altura entre edificações;
- não considerar edificações vizinhas na divisa;
- usar a IT 09 no lugar da IT 07 sem verificar a função da medida;
- deixar de registrar memorial ou justificativa técnica;
- alterar layout ou fachadas após aprovação sem revisar o isolamento.
O isolamento de risco exige leitura integrada da implantação, das fachadas, do uso real e dos riscos existentes.
Perguntas frequentes
O que é isolamento de risco?
É a condição de separação entre edificações ou áreas de risco destinada a impedir que um incêndio se propague de uma edificação para outra.
Qual é a norma de isolamento de risco em São Paulo?
No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 07/2025 – Separação entre edificações (isolamento de risco).
Isolamento de risco é o mesmo que compartimentação?
Não. Compartimentação limita propagação dentro de uma edificação. Isolamento de risco limita propagação entre edificações ou blocos distintos.
Isolamento de risco é apenas distância entre edificações?
Não. A distância é um dos critérios. A análise também considera fachadas, aberturas, carga de incêndio, materiais, paredes resistentes ao fogo, arranjo físico e outros fatores previstos na IT 07.
Como o incêndio se propaga entre edificações?
A propagação pode ocorrer por radiação de calor, convecção de gases quentes e transmissão de chama.
Parede corta-fogo pode servir como isolamento de risco?
Sim, em determinadas situações, desde que tenha resistência ao fogo, continuidade, proteção de aberturas e execução compatível com a função exigida.
Sprinklers reduzem a distância de isolamento?
A presença de chuveiros automáticos pode influenciar critérios específicos da análise quando previsto na norma, mas não deve ser usada de forma genérica sem base técnica.
O que é fachada exposta?
É a face da edificação envolvida na análise de propagação de incêndio, seja como origem ou como elemento sujeito à exposição térmica de outra edificação.
O que é abertura protegida?
É uma abertura com elemento de proteção resistente ao fogo, como porta, vidro, vedador ou fechamento especial, conforme desempenho exigido.
Isolamento de risco interfere no PTS?
Pode interferir. A necessidade de comprovação de isolamento de risco pode direcionar o processo para Projeto Técnico, conforme critérios da IT 42/2025.
Conclusão
O isolamento de risco é uma medida essencial para impedir a propagação do incêndio entre edificações, blocos ou áreas distintas.
No Estado de São Paulo, a referência principal é a IT 07/2025, que trata da separação entre edificações considerando radiação de calor, convecção de gases quentes e transmissão de chama.
A análise não se limita à distância entre edificações. Ela envolve fachadas, aberturas, carga de incêndio, paredes resistentes ao fogo, elementos de proteção, arranjo físico, altura, materiais e uso real dos espaços.
O isolamento de risco também se relaciona com compartimentação, segurança estrutural, carga de incêndio, sprinklers, acesso de viaturas e enquadramento administrativo do processo junto ao Corpo de Bombeiros.
Uma edificação pode estar afastada, mas não necessariamente isolada do ponto de vista normativo. Da mesma forma, uma solução construtiva pode contribuir para o isolamento, desde que seja corretamente dimensionada, executada e mantida.
Consulte a IT 07/2025 completa no Guia SEGCI e acompanhe os próximos conteúdos da série sobre distância entre edificações, parede corta-fogo, fachada exposta, aberturas protegidas e comparativo entre IT 07/2019 e IT 07/2025.